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Jovens narram abusos sexuais em internato no México

Mais de 400 menores, inclusive bebês, foram encontrados pela polícia e pelo Exército em um abrigo ilegal, onde eram mantidos em condições degradantes

Os primeiros testemunhos dos mais de 400 menores e 100 maiores de idade encontrados em um internato ilegal do México confirmam as denúncias sobre maus tratos, abusos sexuais e cárcere privado cometidos no local, situado na cidade de Zamora, estado de Michoacán, informou nesta quarta-feira a promotoria. Um dia após a operação policial, os responsáveis pela investigação divulgaram detalhes dos relatos de doze jovens vítimas de abusos no orfanato “A Grande Família”.

Abusos – Os testemunhos narram agressões físicas, castigos em um cubículo sem água ou comida, alimentos podres e com baratas e abuso sexual, revelou à imprensa Tomás Cerón, diretor da agência de investigação criminal da promotoria. Algumas crianças revelaram que foram forçadas a fazer sexo oral por maiores não identificados, e um relato cita um funcionário do orfanato que “pagou por atos sexuais” com um menor, disse Cerón.

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Uma jovem com mais de 18 anos disse que foi mantida contra sua vontade no orfanato para ser abusada sexualmente por um dos administradores que, quando soube que ela estava grávida, a agrediu para “provocar um aborto”, revelou o funcionário. Fernando Román, um jovem que viveu durante onze anos no orfanato, disse que sofreu severos castigos durante sua permanência no local. “Se você se comportasse, tudo ia bem”, mas quando as crianças roubavam alguma coisa para se alimentar, eram punidos com “três dias sem comer”. A tentativa de fuga era punida “com uma semana preso no banheiro, sem alimentos, só com água”.

Nesta quarta-feira, a promotoria revisou o número de crianças e jovens encontrados na véspera no internato: 607; sendo 438 menores e 159 maiores, além de dez indivíduos cuja idade não pode ser determinada devido ao “alto grau de desnutrição”, precisou Rodrigo Archundia, titular da vice-promotoria especializada no crime organizado. As forças federais foram ao orfanato, que funcionava há 40 anos no município de Zamora, após a denúncia de cinco pessoas de que o estabelecimento retinha crianças à força.

Na operação, que teve o apoio do Exército, as autoridades encontraram crianças – inclusive bebês de entre dois meses e três anos – e adultos privados de sua liberdade que viviam em condições de abuso e insalubridade. As crianças e jovens eram obrigados a pedir esmolas nas ruas e a se prostituir por um grupo de adultos que os ameaçavam e os controlavam. Oito pessoas foram detidas, entre elas Rosa del Carmen Verduzco, apontada como a chefe do abrigo ilegal.

(Com agência France-Presse)