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Jovem confirma que jantava com capitão na hora da batida

Declaração desmente Schettino; ele afirmou que estava no comando do navio

Por Da Redação - 19 jan 2012, 11h46

Uma jovem loira de 25 anos admitiu nesta quinta-feira que jantava com o capitão do Costa Concordia, Francesco Schettino, no momento da colisão contra as formações rochosas que abriram uma fenda de 70 metros no casco do navio e resultou no naufrágio na noite do último dia 13. Um cozinheiro da embarcação havia informado, em depoimento à Justiça, que viu Schettino em um um bar esperando uma bebida ao lado de uma mulher. As declarações desmentem a versão do comandante, que havia dito à juíza Valeria Montesarchio que estava no comando do navio na hora da colisão.

Entenda o caso

  1. • O navio Costa Concordia viajava com mais de 4.200 pessoas a bordo quando bateu em uma rocha junto à ilha italiana de Giglio, na noite do dia 13 de janeiro.
  2. • A colisão abriu um grande buraco no casco do navio, que encheu de água, encalhou em um banco de areia e virou.
  3. • Onze mortos foram confirmados até agora.
  4. • Os trabalhos de buscas são coordenados com a tarefa de retirar as 2.400 toneladas de combustível do navio, sob o risco de contaminação da área do naufrágio.

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Domnica Cemortan, uma moldávia que agora é procurada pelas autoridades italianas, estava sentada na sala ao lado da ponte do comando do Costa Concordia e acompanhava através da janela as manobras do capitão Schettino. Em entrevista ao canal de televisão moldávio Journal TV, ela disse que fazia parte da tripulação e, portanto, podia ficar com os outros oficiais. Contudo, ela não aparece nem na lista de passageiros, nem na da tripulação, o que levou as autoridades a procurá-la para saber o que fazia no navio.

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Na entrevista, Domnica defendeu Schettino: “Acho que ele desenvolveu um trabalho extraordinário, toda a tripulação é solidária a ele e acredita que salvou mais de 3.000 pessoas”, afirmou a loira, que conseguiu alcançar um bote salva-vidas e disse ter ajudado outras pessoas. “Fiquei feliz por ter salvo pessoas”, afirmou Domnica. A Promotoria de Grosseto, que abriu a investigação sobre o naufrágio, deve interrogar a jovem para reconstituir a sequência dos fatos ocorridos na ponte de comando na madrugada de 13 para 14 de janeiro, quando ocorreu o naufrágio.

Drogas – Schettino foi submetido a exames toxicológicos para determinar se havia ingerido drogas ou bebidas alcoólicas no dia do acidente, mas o tempo ideal para a aplicação do teste já havia passado. “Não fumo, não bebo, não me drogo”, disse ele. Mesmo assim, os investigadores determinaram buscas por seu cofre no interior da embarcação, para ver se encontravam rastro de cocaína.

Schettino, o “capitão covarde”, como é chamado por muitos, colocou a Itália nas capas dos jornais em uma posição vergonhosa após aproximar o navio demais da costa e fugir no momento de resgate dos passageiros em vez de comandar a operação. O governo italiano já antecipou que vai proibir o costume de se aproximar demais da costa no tráfego marítimo do país, considerado um negócio muito importante.

Prisão domiciliar – Mas há quem considere Schettino um herói. Na quarta-feira, ele chegou escoltado por carabineiros a seu povoado, Meta di Sorrento, no sul do país, onde foi recebido por uma multidão. Lá, além de família e amigos, era esperado por sua mulher, Fabiola Russo, que gritou aos repórteres: “Desgraçados!”. A população local apoia o capitão e há até quem defenda o abandono do navio por Schettino, deixando passageiros e tripulação para trás.

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Segundo a imprensa italiana, Schettino abandonou o navio à própria sorte uma hora depois do acidente e ligou para a mãe ao chegar em terra firme. Depois disso, contemplou a embarcação afundando de uma rocha da ilha de Giglio. A juíza de Grosseto, Valeria Montesarchio, determinou sua prisão domiciliar contrariando a opinião do promotor-chefe da localidade italiana, Francesco Verusio, que pediu a prisão preventiva do comandante. O promotor vai recorrer da decisão da juíza porque “o capitão errou na manobra, no abandono do navio, por não ter comandado as operações de resgate e por não ter dado nenhuma ordem”.

(Com agência EFE)

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