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Jovem americano morre em protesto no Egito

EUA emitem alerta para que americanos não viajem ao país. Confrontos entre aliados e opositores do governo são registrados perto do aniversário de um ano da posse de Mohamed Mursi

Um jovem americano de 21 anos morreu nesta sexta-feira na cidade de Alexandria durante confrontos entre partidários e opositores do presidente egípcio Mohamed Mursi. Segundo a rede Al Jazeera, o jovem americano estava filmando os conflitos quando foi apunhalado no peito. Ele chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Pouco depois, o governo divulgou um alerta aos cidadãos americanos para que não viajem ao Egito e decidiu reduzir a presença de funcionários no país. O Departamento de Estado assinalou em um comunicado que “autoriza a saída de um número limitado de funcionários não essenciais e seus familiares”, e pede aos cidadãos americanos que “evitem qualquer viagem não imprescindível ao Egito neste momento, diante da possibilidade de permanência da agitação política e social”.

A Irmandade Muçulmana afirmou que oito de seus escritórios foram atacados, incluindo um em Alexandria. Pelo menos três pessoas teriam morrido nos ataques, segundo a CNN. Outras 70 pessoas ficaram feridas em distúrbios registrados em outras regiões do país. O porta-voz do governista Partido Liberdade e Justiça, Gihad Haddad, afirmou que um integrante da legenda foi morto na cidade de Mansoura, ao norte do país.

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A polarização no Egito fica exposta nas ruas do país às vésperas do aniversário de um ano da posse de Mursi. Uma grande manifestação está sendo preparada para domingo, dia em que o presidente completará um ano no poder. Alguns opositores defendem a saída imediata do presidente e sua substituição por um gabinete formado por tecnocratas que comandaria os trabalhos para elaborar uma nova Constituição antes de organizar novas eleições. Outros querem que sejam convocadas eleições antecipadas.

A população egípcia que lutou pelo fim de uma ditadura de três décadas comandada por Hosni Mubarak viu Mursi se tornar um novo ditador, que ampliou os próprios poderes, cercou-se de islâmicos e não trouxe a esperada estabilidade ao país, que além de polarizado, enfrenta uma grave crise econômica. Na quarta-feira, o presidente discursou por duas horas na televisão e voltou a pedir diálogo com os opositores. Ele também sinalizou com a possibilidade de realizar mudanças na controversa Constituição aprovada às pressas no final de 2012, por uma assembleia dominada pela bancada fundamentalista islâmica.

Apelos – O pronunciamento foi uma tentativa de frear os protestos, mas a ação mostrou-se inócua. Diante da expectativa de novos protestos e dos confrontos já registrados, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu respeito aos “princípios universais de diálogo pacífico” e urgiu que a democracia seja reforçada em “ambiente inclusivo”. A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, pediu aos dois lados que façam protestos pacíficos, construam um ambiente de confiança e demonstrem um “espírito de diálogo e tolerância”.

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As principais lideranças religiosas do Egito apoiaram a oferta de diálogo apresentada pelo presidente e alertaram para a possibilidade de “guerra civil”. “É necessário manter a vigilância para garantir que não vamos entrar em guerra civil”, disseram clérigos do milenar Instituto Al-Azhar, um dos mais influentes centros do mundo islâmico.

Opositores condenaram os confrontos e o Exército, que havia alertado para a possibilidade de intervenção se os políticos perdessem o controle da situação, divulgou um comunicado informando o envio de tropas para várias partes do país, com o objetivo de proteger os cidadãos e as instalações de importância nacional.

Na capital Cairo, manifestações de apoiadores e opositores do governo foram realizadas em locais diferentes e houve poucos problemas. Alguns opositores se reuniram do lado de fora do palácio presidencial, que deverá ser um dos locais de concentração no domingo. Mursi não estava no palácio. Em outra região, uma marcha islâmica incluiu chamados à reconciliação – uma canção pedia unidade entre “muçulmanos e cristãos, islâmicos e liberais”. Um contraste em comparação com uma manifestação realizada na semana passada, quando extremistas fizeram advertências aos adversários do presidente.

(Com agências Reuters e France-Presse)