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José Graziano faz da África prioridade da FAO e anuncia visita no final de janeiro

Por Por Kelly Velasquez - 3 jan 2012, 11h33

O novo diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, prometeu nesta terça-feira que dará prioridade à África na luta pela “eliminação da fome” no mundo, seu primeiro objetivo estratégico.

“A África continuará como prioridade de meu mandato. Eu participarei da reunião da União Africana no fim de janeiro e também viajarei ao Chifre da África”, anunciou durante sua primeira coletiva de imprensa desde que tomou posse no dia 1º de janeiro à frente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Graziano foi eleito no dia 26 de junho chefe da FAO, sucedendo o senegalês Jacques Diouf, que liderou a organização por 17 anos. É o primeiro representante da América Latina no comand desta agência de luta contra a fome, problema que atinge quase um bilhão de pessoas em todo o mundo.

“Não temos tempo a perder se quisermos reduzir pela metade o número de pessoas que sofrem com a fome”, disse o novo diretor, que se comprometeu a “aumentar os recursos destinados à África”.

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Mais de 13 milhões de pessoas vivem em quatro países do Chifre da África – Etiópia, Quênia, Somália, Djibouti – atingidos pela pior seca em décadas, e precisam de ajuda humanitária, segundo a ONU.

A FAO tem afirmado repetidamente ser inadmissível a fome e pediu à comunidade internacional que não financie apenas uma ajuda emergencial, mas também para investir na agricultura a longo prazo para evitar a repetição de crises alimentares.

Graziano fez uma advertência contra “a volatilidade dos preços dos alimentos (que) deve continuar.”

“Nós acreditamos que os preços não vão subir, mas também não devem descer rapidamente, haverá reduções, mas não será uma queda drástica, a volatilidade vai continuar”, afirmou.

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Durante a publicação de seu índice sobre os preços dos alimentos em novembro, a FAO previu uma manutenção dos preços a um nível elevado em 2012 e salientou que o custo dos alimentos subiu em mais de um terço durante o ano passado nos países mais pobres.

O professor Graziano, ex-ministro da Segurança Alimentar e do Combate à Fome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), incorporou o programa brasileiro de combate à fome, o “Fome Zero”.

Questionado sobre o exemplo do Brasil, disse ser “muito importante que cada país encontre seu próprio caminho para sair da fome”. O caso brasileiro “deve ser adaptado para os sistemas locais para funcionar”, explicou.

“Não há mágica para combater a fome”, alertou, destacando que “este não é função unicamente dos governos, mas também a sociedade civil e o setor privado devem desempenhar um papel.”

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“Nós também precisamos da ajuda de igrejas e sindicatos na luta contra a fome”, acrescentou.

Sem esquecer a própria FAO, muitas vezes criticada por seu caráter burocrático: “Um dos principais desafios da FAO é aumentar sua eficiência”, reconheceu ele que é, desde 2006, representante regional da América Latina e do Caribe na FAO.

Durante a campanha para sua eleição, defendeu “uma FAO forte e eficaz.”

Ao longo de sua coletiva, Graziano também manifestou preocupação com a situação na Síria.

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“Toda vez que há um conflito interno em um país, torna o nosso trabalho mais difícil e nós enfrentamos problemas de segurança alimentar”.

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