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Jornalista que cobriu Covid-19 em Wuhan é condenada a 4 anos de prisão

Zhang Zhan foi acusada de espalhar desinformação nas redes sociais; repórter diz estar sendo silenciada e programa greve de fome em protesto

Por Da Redação 28 dez 2020, 10h58

A jornalista chinesa Zhang Zhan foi condenada a quatro anos de prisão nesta segunda-feira, 28, devido ao seu trabalho de cobertura no início do surto de Covid-19 na cidade de Wuhan, na província de Hubei. A defesa da repórter diz que ela está sendo silenciada, mas o governo afirma que Zhan foi responsável por espalhar desinformação sobre a conduta das autoridades na contenção do vírus.

Zhan cobria principalmente a situação caótica dos hospitais e divulgava seu trabalho nas redes sociais. Em maio, a jornalista foi detida sob a acusação “provocar distúrbios” e de disseminar desinformação. Em junho, para protestar contra sua detenção, ela iniciou uma greve de fome, porém foi alimentada à força por uma sonda.

“Quando a vi na semana passada, ela afirmou que se receber uma sentença pesada, vai recusar qualquer alimento até o fim”, disse o advogado Zhang Keke. “Ela acredita que vai morrer na prisão”.

O processo contra Zhang começou um pouco antes da chegada de uma missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) à China, em janeiro, para investigar as origens da epidemia.

Há mais de um ano, os primeiros relatos de uma pneumonia misteriosa em Wuhan surgiram. Enquanto autoridades locais tentavam reprimir a exposição do surto do novo vírus, a doença se espalhava. Nos primeiros meses, a situação nos hospitais ficou caótica, e haviam até mesmo relatos de pessoas morrendo no meio da rua.

O governo chinês impôs a quarentena absoluta na cidade e construiu dois hospitais de campanha em menos de duas semanas. Mesmo assim, segundo um relatório interno e confidencial que foi vazado à emissora americana CNN,  diversas falhas no gerenciamento da crise que podem ter piorado a situação foram identificadas.

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