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Jornalista comprou duas cabeças humanas para reportagem

A agência de notícias publicou reportagem sobre venda de partes do corpo humano para pesquisa

Por Da redação Atualizado em 27 out 2017, 17h35 - Publicado em 27 out 2017, 15h49

Um jornalista da agência de notícias Reuters comprou duas cabeças humanas e um pedaço de espinha dorsal. A aquisição foi feita por Brian Grow como teste para uma reportagem sobre venda de órgãos e tecidos humanos para uso em pesquisa, educação e treinamento de profissionais.

Durante mais de um ano, Grow e John Shiffman investigaram empresas que vendem partes de cadáveres doados à ciência nos Estados Unidos. Na reportagem “The Body Trade” (O Comércio do Corpo, em português), os jornalistas discutem essas transações, que muitas vezes são feitas sem a autorização dos familiares.

Segundo a matéria, que é dividida em três partes, a lei americana não tem nenhuma regulamentação sobre esse tipo de comércio, ao contrário do mercado de doação de órgão no país, que é monitorado de perto pelo governo. Dessa forma, muitas famílias doam os corpos de seus entes falecidos para essas empresas, conhecidas como “body brokers” (corretores de corpos em português).

  • Os “brokers” oferecem muitas vantagens, como transporte e cremação gratuita, diferentemente das universidades e agências estatais. Depois de receberem o corpo gratuitamente, cortam suas partes e vendem por milhares de dólares a pesquisadores e organizações médicas. Algumas vezes, os órgãos ou tecidos são devolvidos aos corretores depois de usados, para reaproveitamento ou cremação.

    Brian Grow resolveu testar a facilidade com que é possível comprar partes humanas nos Estados Unidos. Após trocar alguns e-mails, conseguiu adquirir um pedaço de espinha dorsal por 300 dólares. Depois, comprou duas cabeças humanas. Tudo com a mesma empresa, chamada Restore Life (Restaurar a vida).

    Com a ajuda de um médico, o repórter descobriu o nome do defunto de onde provinha a espinha dorsal, encontrou sua família e realizou um teste de DNA. O tecido pertencia a Cody Sanders, que sofria de uma síndrome renal desde seu nascimento e morreu aos 24 anos.

    Após o falecimento, seus pais não possuíam recursos financeiros para enterrá-lo, por isso doaram seu corpo para a Restore Life. Não sabiam, porém, que a empresa iria revender parte de seus órgãos e lucrar com isso.

    Segundo a reportagem da Reuters, que contou com a ajuda da diretora de um programa de doação de corpos na Universidade de Medicina de Minnesota, as cabeças e o pedaço de espinha vendidos a Grow não vieram acompanhados da documentação necessária para ser usados em análises médicas ou outros propósitos científicos. Dessa forma, não poderiam ser utilizados em universidades com padrões éticos e científicos aceitáveis.

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