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Jornal venezuelano volta a reduzir páginas e acusa governo

'El Universal' afirma que estoque de papel só deve durar mais duas semanas

O jornal oposicionista El Universal, um dos mais tradicionais da Venezuela, voltou a reduzir nesta segunda-feira o número de páginas em consequência da falta de papel provocada por um atraso nos trâmites de importação. A publicação acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de dificultar a compra do material. Rotineiramente o governo faz uso desse método para calar os veículos que não apoiam o chavismo.

“O curioso atraso na Autorização de Aquisição de Divisas (responsabilidade do Centro Nacional de Comércio Exterior) não permitiu nacionalizar um carregamento de papel jornal de propriedade de El Universal que se encontra desde janeiro no porto de La Guaira”, denunciou o jornal, que reduziu a edição desta segunda-feira para 16 páginas.

Em um comunicado publicado na noite desta segunda-feira em sua versão digital, El Universal afirmou que, mesmo com a redução das páginas, o estoque de papel só deve durar mais duas semanas.

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Em um país com rígido controle cambial desde 2003, o governo de Nicolás Maduro praticamente bloqueou no último ano a entrega de divisas para importações consideradas “não prioritárias” e inclusive atrasou as de produtos básicos, o que gerou um forte desabastecimento. Os jornais esbarram regularmente com problemas de acesso às divisas para pagar a importação de papel. As denúncias são intensas nos casos de jornais considerados de linha crítica ao governo.

Por falta de papel, mais de dez jornais da Venezuela fecharam as portas, se limitaram às edições digitais ou reduziram o número de páginas a, em vários casos, oito vezes menos que há 12 meses. No mês passado, três importantes jornais (El Nacional e El Nuevo País, além do El Impulso) receberam um empréstimo de 52 toneladas de papel enviados pela Associação Colombiana de Editores de Jornais e Meios Informativos (Andiarios).

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) já denunciou algumas vezes as atitudes do governo venezuelano, que para a organização constituem um ataque à liberdade de imprensa, a última vez em 25 de abril em um duro comunicado assinado por Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa.

O governo continua apostando “no fechamento dos jornais, por meio da sutil medida de negar as divisas para que assim não possam importar papel e outros insumos que não são produzidos na Venezuela”, denunciou Paolillo.

(Com agência France-Presse)