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Jornal japonês que patrocina Tóquio 2020 defende cancelamento dos Jogos

Publicação se junta a coro crescente e afirma que evento seria 'ameaça sanitária' em um momento em que o país enfrenta quarta onda de contágios

Por Da Redação Atualizado em 26 Maio 2021, 11h35 - Publicado em 26 Maio 2021, 11h34

Em meio à crescente oposição no Japão à realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio por temores envolvendo a pandemia de Covid-19, o jornal japonês Asahi Shimbun, um dos patrocinadores oficiais da competição, se juntou nesta quarta-feira, 26, ao coro pelo cancelamento do evento. Segundo a publicação, o evento seria uma “ameaça sanitária”, em um momento em que o país enfrenta uma quarta onda de contágios.

Em um editorial, o jornal, que é o segundo mais vendido do país, pede que o primeiro-ministro Yoshihide Suga faça uma “avaliação tranquila e objetiva da situação para tomar a decisão de cancelar as Olimpíadas de verão”. A publicação também acusa os dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI), especialmente o vice-presidente John Coates, de estarem “fora de sintonia” com o público japonês.

Questionado na semana passada se os Jogos aconteceriam mesmo sob o estado de emergência pelo coronavírus, Coates afirmou que “a resposta é absolutamente sim”. A cerimônia de abertura está marcada para 23 de julho. 

Nove das 47 províncias do país, incluindo Tóquio, estão em estado de emergência sanitária devido à quarta onda de casos da Covid-19 que mantém o número de doentes em estado crítico em níveis recorde.

A vacinação no país está progredindo lentamente e o calendário do governo não prevê alcançar a imunidade de grupo até à realização dos Jogos, o que está causando preocupação entre a população antes da chegada de dezenas de milhares de participantes em um país cujas fronteiras estão fechadas aos visitantes.

Os organizadores de Tóquio 2020, as autoridades da capital e o primeiro-ministro  Suga, no entanto, dizem que é possível realizar os Jogos Olímpicos “em segurança”, mas essa mensagem não convence a população. 

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A dois meses da abertura do evento, as últimas pesquisas realizadas por meios de comunicação japoneses apontam para uma porcentagem crescente da população contrária à realização dos Jogos Olímpicos. Mais de 83% dos japoneses acreditam que os Jogos não devem decorrer como planejado, de acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi e publicada na semana passada.

Dessa porcentagem, 40% pensam que as Olimpíadas deveriam ser novamente adiadas, enquanto 43% prefere que sejam canceladas. Por sua vez, 14% dos consultados opinam que a abertura, agendada para 23 de julho, deve ser mantida.

A mudança na porcentagem a favor do cancelamento dos Jogos foi particularmente significativa em comparação com a sondagem de abril, quando o número se situava em 35%, semelhante aos meses anteriores.

De acordo com estimativas divulgadas na terça-feira 25 pelo instituto de pesquisa Nomura, o cancelamento dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio poderá custar ao Japão cerca de 1,81 trilhão de ienes (o equivalente a 16,6 bilhões de dólares). 

No entanto, o instituto também advertiu sobre maiores perdas se um novo estado de emergência for declarado para lidar com um pico de casos após a competição, ressaltando que a decisão de avançar com sua realização deveria ser tomada levando em conta o impacto epidemiológico, e não o econômico.

“Mesmo que os Jogos sejam cancelados, as perdas econômicas serão menores do que (os danos causados) por um estado de emergência”, destacou o economista-executivo do instituto Nomura, Takahide Kiuchi, à agência de notícias Kyodo.

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