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Jornais opositores protestam contra nova Constituição

Manifestantes farão hoje 'última advertência' diante de palácio presidencial

Por Da Redação 4 dez 2012, 09h58

Vários jornais independentes de oposição do Egito decidiram não publicar edições nesta terça-feira como protesto contra os artigos relativos à imprensa e às liberdades individuais na minuta de uma nova Constituição para o país, que será submetida a um referendo no dia 15 de dezembro. Além disso, a oposição prevê uma nova manifestação nesta terça-feira, chamada de “última advertência”, diante do palácio presidencial.

“Trata-se de enfrentar a tirania”, afirma o site do jornal Al-Tahrir. “Os jornais querem protestar contra os artigos relativos à imprensa e às liberdades no projeto de Constituição e rejeitar o decreto decreto publicado pelo presidente da República em 22 de novembro”, diz o jornal Al Masry Al Yom. Leia também: Judiciário do Egito divide-se sobre referendo do dia 15 Em comunicado divulgado em sua edição digital, o Al Masry Al Yom afirma que os periódicos em greve rejeitam também a ata constitucional anunciada em 22 de novembro pelo presidente egípcio, Mohammed Mursi, para blindar seus poderes perante a Justiça. Outros títulos que não saíram hoje são Al Tahrir, Al Watan, Al-Youm al Sabea e Al Wafd. Vários canais independentes de televisão por satélite, como a ONTV, a CBC e a Dream, também anunciaram que deixarão suas telas pretas pelos mesmos motivos, embora não especificassem quando adotarão esta medida.

Crise – Mursi mergulhou o Egito em uma nova crise no mês passado, quando ampliou seu próprios poderes e colocou suas decisões além do alcance judicial, dizendo que esta era uma medida temporária para acelerar a transição democrática do Egito até que uma nova Constituição entre em vigor.

Sua declaração de autoridade em um decreto emitido em 22 de novembro, um dia depois de ser louvado mundialmente por intermediar uma trégua em Gaza entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas, consternou seus adversários e aumentou as divisões entre os 83 milhões de egípcios. Depois disso, a Assembleia Constituinte, composta majoritariamente por islamitas que apoiam Mursi, redigiu e aprovou a minuta de uma nova Constituição, que provocou protestos violentos de egípcios opositores que a consideram uma farsa. (Com agência France-Presse)

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