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Jordânia vai às urnas pela 1ª vez após a Primavera Árabe

Irmandade Muçulmana boicotou a votação, alegando que o sistema eleitoral foi manipulado a favor de áreas pró-governo e contra regiões favoráveis ao partido

Por Da Redação - 23 jan 2013, 15h05

Os jordanianos votaram nesta quarta-feira nas primeiras eleições parlamentares do país desde as revoltas da Primavera Árabe. A Jordânia, uma monarquia apoiada pelos EUA e que faz fronteira com Israel, tem enfrentado protestos contra o governo do rei Abdullah II, embora as manifestações não tenham tido a mesma escala daquelas que derrubaram os governantes do Egito e da Tunísia e que se transformaram em guerras civis na Líbia e Síria.

O governo de Abdullah II prometeu eleições livres e justas. Porém, um boicote foi anunciado pela Irmandade Muçulmana, o principal partido islâmico do país e com forte apelo popular, alegando que o sistema eleitoral havia sido manipulado a favor de áreas rurais tribais, onde estão forças conservadoras e pró-governo, e contra grandes áreas urbanas povoadas, onde o partido é mais forte.

O abandono da votação pela Irmandade Muçulmana diminui as chances de os islâmicos realizarem uma mudança como a verificada no Egito, onde o impopular Mohamed Mursi, membro da Irmandade, chegou ao poder através das urnas para substituir o ditador Hosni Mubarak e acabou tornando-se um novo faraó. Por outro lado, o boicote também reduz a eleição na Jordânia a uma disputa entre líderes tribais, figuras já estabelecidas no país e empresários – são 1.500 candidatos na disputa por 150 lugares na Câmara Baixa. As denúncias de compra de votos são abundantes.

O resultado eleitoral poderá causar ressentimento em grande parte da população urbana pobre, que se sente excluída, política e economicamente. “Não há propostas nas campanhas dos candidatos. Elas são conduzidas emocionalmente e baseadas mais nas relações pessoais do que em programas construtivos”, disse o xeque Talal al-Madi, ex-senador de uma região tribal.

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Mais de dois terços dos sete milhões de habitantes da Jordânia vivem em cidades, mas são representados por menos de um terço das cadeiras na assembleia. A eleição também ocorre em meio a uma preocupante crise econômica, com políticas de austeridade guiadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo foi forçado a adotar essas medidas para evitar uma crise fiscal depois de anos de gastos em um setor público inchado.

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(Com agência Reuters)

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