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Johnson aumenta pressão sobre UE com ameaça de fim de negociações

Em setembro, premiê britânico havia dito que a cúpula desta sexta-feira, 16, era prazo máximo para o acordo; Bruxelas afirma que tratado continua na mesa

Por Da Redação - 16 out 2020, 19h54

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou nesta sexta-feira, 16, que vai suspender as negociações com a União Europeia para um acordo comercial pós-Brexit, a não ser que o bloco “mude radicalmente a abordagem”. Em comunicado, Johnson recomendou que o país se prepare para um cenário sem acordo a partir do dia 1º de janeiro de 2021.

Não é a primeira vez que o premiê tenta aumentar a pressão sobre Bruxelas para obter um tratado que reduza tarifas, mas que ao mesmo tempo não se comprometa com outras regras. 

Em junho, o governo britânico rejeitou a opção de estender o período de transição da separação, devido à pandemia de coronavírus. Mais recentemente, anunciou um plano econômico que descumpria algumas disposições do Brexit em relação ao comércio com a Irlanda do Norte. A decisão foi considerada uma forma de intimidação para forçar Bruxelas a um acordo comercial mais favorável.

Nesta sexta-feira, o porta-voz do premiê aprofundou seu discurso, declarando dramaticamente: “As negociações comerciais terminaram”. Autoridades de Bruxelas, em uma cúpula da União Europeia, responderam que não havia motivos para não desistir do acordo.

Bruxelas, no entanto, simplesmente não acreditou no fim. “Que bobagem. Qual foi o sentido daquela afirmação?”, disse uma autoridade europeia, segundo o jornal britânico The Guardian.

“A União Europeia continua a trabalhar por um acordo, mas não a qualquer preço. Conforme planejado, nossa equipe de negociação irá a Londres na próxima semana para intensificar essas negociações”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, no Twitter.

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Contudo, o negociador-chefe do Reino Unido, David Frost, disse ao seu homólogo do bloco, Michel Barnier, que não havia necessidade de mais um encontro – a menos que Bruxelas apresentasse um novo plano no fim de semana.

Em setembro, Johnson havia dito que a cúpula desta sexta-feira era seu prazo máximo para um acordo e que, sem ele, ambos os lados precisariam “seguir em frente”. O Guardian reporta que muito da ameaça foi para navegar pela data sem constrangimento indevido, e ainda há esperança de um acordo. Uma reunião entre os dois lados ainda está marcada para segunda-feira, 19, em Londres. Já a próxima cúpula dos líderes da União Europeia será no dia 15 de novembro, em Berlim.

“Pretendemos nos concentrar nas negociações e essas negociações continuarão nos próximos dias”, disse Angela Merkel, chanceler da Alemanha.

Um dos pontos de inflexão entre o bloco e o Reino Unido são as leis sobre pesca. Para defensores do Brexit, é um símbolo de soberania e “pesqueiros britânicos são para barcos britânicos”, enquanto a União Europeia usa o acesso a esses pesqueiros como pré-requisito para um acordo de livre comércio.

O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou Johnson de usar a pesca taticamente nas negociações. Merkel, por sua vez, disse que a União Europeia deve acomodar as demandas do Reino Unido, garantindo ao mesmo tempo uma concorrência justa.

“Se quisermos ter um acordo, os dois lados precisam se aproximar”, disse a chanceler alemã.

A indústria de serviços financeiros do Reino Unido expressou desapontamento com o jogo político. Catherine McGuinness, presidente de políticas da City of London Corporation, disse que empresas e famílias em ambos os lados “são os principais perdedores”.

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