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Joe Biden defende no Rio uma “nova era” nas relações dos EUA com a América Latina

Vice-presidente americano ficará no Brasil por três dias, para encontro com a presidente Dilma Rousseff e conversas sobre pré-sal e tecnologia

Em sua primeira agenda pública na visita que faz ao Brasil, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, que seu país tem o desejo de ampliar os vínculos com a América Latina e que existe oportunidade para se estabelecer “uma nova era” nas relações entre as partes. “Não há nenhum parceiro mais significativo neste empenho que o Brasil”, disse, em um evento com a presença do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral, na Zona Portuária.

A visita ao Rio é a primeira escala do trecho brasileiro da visita que o vice-presidente faz à América Latina. Biden vai se reunir com a presidente Dilma Rousseff para conversar, entre outros assuntos, sobre a cooperação energética entre os dois países. O descobrimento das gigantescas reservas petrolíferas do pré-sal, que poderão suprir parte da demanda americana, e o desejo brasileiro de ter acesso à tecnologia dos EUA para explorar o gás de xisto são dois dos assuntos que Biden tratará em sua primeira visita ao Brasil como vice-presidente.

VEJA: “O momento é ímpar”, afirma Joe Biden.

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Os Estados Unidos manifestaram há vários meses seu interesse no petróleo que será extraído do pré-sal. A presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou neste mês que a companhia tem o desejo de ter acesso às tecnologias para explorar reservas de gás de xisto, com as quais os Estados Unidos vêm elevando significativamente sua produção nacional. Na visita que fez há duas semanas a Washington, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, demonstrou seu interesse pelo ‘extraordinário desenvolvimento’ tecnológico’ dos EUA na exploração do gás extraído de xistos betuminosos.

Durante sua passagem pelo país, Biden também abordará a visita de estado que Dilma realizará a Washington em outubro, projetos de desenvolvimento em ciência e tecnologia e a oferta de cotas em universidades dos Estados Unidos para estudantes brasileiros, segundo anunciou na semana passada o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Tovar da Silva Nunes.

Outros assuntos na agenda são as negociações para eliminar a exigência de vistos para brasileiros que viajam aos Estados Unidos, o aumento do tráfego aéreo e a licitação do governo brasileiro para adquirir 36 caças-bombardeiros de última geração, que é disputada pela Boeing.

Os diplomatas de ambos os países concordam que além dos diversos assuntos da agenda bilateral, a visita é uma demonstração da importância que os Estados Unidos pretendem conceder ao Brasil. “Trata-se de um reconhecimento da importância do Brasil no novo cenário global e um desejo de aprofundar as relações bilaterais”, disse o porta-voz da chancelaria.

Biden viajará ainda nesta quarta-feira para Brasília. À tarde, o vice-presidente participará da reunião com os dirigentes da Petrobras e se reunirá com investidores e empresários no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na quinta-feira, Biden visitará uma favela do Rio, onde conversará sobre as políticas de segurança e conhecerá o programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Na sexta-feira, em Brasília, o vice-presidente será recebido por Dilma no Palácio do Planalto e terá uma reunião de trabalho com o vice-presidente Michel Temer no Itamaraty. A visita será concluída com uma entrevista coletiva em Brasília. Biden realiza a viagem acompanhado por sua esposa, Jill Biden; pela subsecretária de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson; e pelo subsecretário de Comércio para Assuntos Internacionais, Francisco Sánchez.

(Com EFE e AFP)