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Jihadistas executam nove civis e seis soldados no Iraque

Os civis foram assassinados em público, no norte do país, por conspirarem contra o Estado Islâmico. Soldados foram mortos após serem capturados

Por Da Redação - 5 out 2014, 13h30

Terroristas do Estado Islâmico (EI) assassinaram a tiros neste domingo nove civis e seis soldados. Os civis foram acusados de conspirar contra a organização extremista na província de Ninawa, no norte do Iraque, informaram autoridades locais. O responsável governamental da região de Al Beash, que fica a cerca de 110 quilômetros ao oeste de Mosul, capital de Ninawa, Abbas Al Mitiuti, disse que os jihadistas assassinaram as vítimas na estação de ônibus de Al Beash na presença de vários moradores.

Segundo a fonte, os nove assassinados foram transferidos até o local em vários veículos e, em seguida, tiveram seus olhos vendados e suas mãos amarradas antes de serem executados. Os milicianos disseram aos presentes que os cidadãos foram “executados por serem infiéis e conspirarem contra o Estado do Califado Islâmico, por colaborarem com o governo iraquiano, com a minoria yazidi e as traidoras forças curdas peshmerga”.

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Além disso, advertiram que “isso é o que acontece com todos aqueles que conspiram contra o Estado Islâmico”. Após atirar contra as vítimas, os extremistas pediram que os presentes retirassem os corpos do local para que servisse de lição. Milicianos curdos e yazidis lutam para expulsar os jihadistas das aldeias que tomaram em junho em Ninawa. A minoria curda yazidi, que não pratica a fé muçulmana nem a cristã, é considerada impura pelos jihadistas e vive em aldeias do nordeste da província de Ninawa.

O EI conquistou Mosul no dia 10 de junho e pouco depois declarou um califado islâmico nas áreas sob seu controle, no norte da Síria e do Iraque, onde impuseram uma interpretação radical do Islã.

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Soldados – Os soldados iraquianos foram mortos na província de Anbar, onde o grupo extremista continua fazendo avanços, apesar de uma crescente campanha de ataques aéreos liderada pelos EUA no Iraque. Segundo relato de testemunhas, os soldados – um dos quais trajava uniforme militar e os demais, roupas civis – foram alinhados contra uma parede, na cidade de Hit, e baleados na cabeça. As testemunhas, que falaram sob condição de anonimato por temerem uma represália, disseram ainda que o EI atacou um posto policial em Hit, que fica 140 quilômetros a oeste da capital iraquiana, Bagdá. O EI chegou a Hit na quinta-feira, na última vitória do grupo contra militares iraquianos em Anbar. Os EUA lançaram ataques contra posições dos militantes na província.

Avanço na Síria – O EI, que tenta há três semanas derrotar as forças curdas na localidade síria de Kobane, continua avançando nesta estratégica cidade próxima à fronteira turca, apesar dos bombardeios aéreos da coalizão internacional. Do lado turco da fronteira, é possível ver colunas de fumaça sobre Kobane e também ouvir o barulho das explosões e dos aviões de combate sobrevoando a área. “O EI ha conseguiu tomar no sábado à noite a parte sul da colina de Mashtanur, localizada no sudeste e que domina Kobane”, informou o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Abdel Rahman.

“Os bombardeios causaram muitas perdas humanas”, completou Rahman, acrescentando que a coalizão antijihadista realizou sete novos bombardeios durante a noite de sábado contra posições do EI. “Se a coalizão não tivesse lançado os ataquesaéreos no sábado, o EI estaria agora no centro de Kobane”, concluiu. A tomada de Kobane permitirá ao EI controlar uma ampla faixa contínua de território ao longo da fronteira com a Turquia. A cidade é defendida por combatentes das Unidades de Proteção do Povo (YPG, principal milícia curda síria), menos numerosas e menos armadas que os jihadistas. O grupo EI conseguiu se apoderar de mais de 70 localidades no norte da Síria, obrigando 300.000 pessoas a fugir. Delas, 180.000 se refugiaram na Turquia.

As forças curdas que defendem a cidade com a ajuda de rebeldes sírios conseguiram conter os últimos ataques do EI, mas os combates continuam intensos em Ain al Arab, nome de Kobane em árabe. O Exército turco posicionou soldados nas colinas próximas, de onde observam os combates. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou com represálias caso o Estado Islâmico resolva atacar o túmulo de um dignitário otomano situado em uma parte do território sírio sob soberania turca. O governo turco, que recebeu autorização do Parlamento para participar das operações militares da coalizão no Iraque e na Síria, ainda não revelou quais são suas verdadeiras intenções em relação a sua participação no conflito.

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(Com agências France-Presse e EFE)

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