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Jesse Jackson Jr. é condenado a 30 meses de prisão

O filho do ativista pelos direitos civis usou 750 000 dólares de campanha para viajar e comprar bens pessoais, como memorabília de Michael Jackson

O ex-congressista democrata Jesse Jackson Jr., filho do reverendo Jesse Jackson, companheiro de Martin Luther King na luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, foi condenado nesta quarta-feira a dois anos e meio de prisão por desviar 750 000 dólares de sua verba de campanha para fins pessoais. Jackson e a mulher Sandra Stevens, sentenciada a um ano de prisão, haviam se declarado culpados em fevereiro deste ano das acusações de uso de dinheiro público para viajar e comprar itens de uso pessoal, desde relógios e casacos de pele até peças de memorabilia do cantor Michael Jackson.

O juiz do caso determinou que o político também deverá cumprir 500 horas de serviços comunitários e ficará três anos em liberdade condicional. Sua mulher, que gerenciava sua campanha, deverá realizar 200 horas de serviço comunitário e ficará um ano em liberdade condicional.

Antes de ser condenado, Jackson pediu desculpas aos eleitores e colegas congressistas. “Eu enganei o povo americano, eu enganei a Câmara dos Deputados. Eu estava errado e decepcionei a todos”. Ele disse ainda que falhou ao separar sua vida política da pessoal e pediu ao júri para cumprir a sentença em uma prisão do Alabama, “o mais longe de todos por um tempo”.

A promotoria pedia quatro anos de prisão para o casal, destacando que Jackson Jr e a mulher não enfrentavam dificuldades financeiras. O advogado Matthew Graves afirmou que os dois ganharam 350 000 dólares só em 2011, informou o jornal The Washington Post. A defesa, por sua vez, defendeu a tese de que uma ampla condenação seria prejudicial para os filhos do casal, que têm 13 e 9 anos de idade. “A sua desgraça em público o tornou um exemplo para alertar outros políticos dos riscos de se usar fundos de campanha para fins pessoais”, afirmou um dos advogados de Jackson Jr.

Histórico – Os problemas do congressista começaram depois de denúncias de que ele tentou comprar uma indicação para ocupar a vaga deixada por Barack Obama no Senado depois das eleições de 2008 – nos EUA não existe a figura do suplente e, em Illinois, o governador nomeia o substituto. A vida pessoal do ex-deputado também ficou abalada após o seu sumiço de Washington em novembro do ano passado. Pouco antes de renunciar ao mandato na Câmara dos Deputados, Jackson ficou desaparecido por semanas até comunicar que estava recebendo tratamento para depressão e distúrbio bipolar.

Em uma carta enviada ao juiz do caso, o reverendo Jesse Jackson afirmou que o filho pode ter começado a “frustrar as próprias ambições” após passar por uma cirurgia de redução do estômago em 2004. Já a mãe do ex-congressista sugeriu que a necessidade de conviver com a fama do pai pode ter levado Jackson a cometer erros. “Crescer à sombra do pai fez com que Jesse Jr. tentasse desesperadamente provar as expectativas que eram depositadas em cima dele. Pelo menos ele tentou”.