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Jato militar dos EUA provoca manobra de avião do Irã, ferindo passageiros

A mídia iraniana diz que o piloto da Mahan Air foi forçado a diminuir a altitude para evitar colisão com o jato F-15, ferindo várias pessoas

Por Da Redação - Atualizado em 24 jul 2020, 17h43 - Publicado em 24 jul 2020, 17h10

Vários passageiros de um avião comercial iraniano que seguia da capital, Teerã, para o Líbano ficaram feridos na quinta-feira 23 devido a uma quase colisão com um caça americano. Segundo a mídia do Irã, o piloto precisou desviar da aeronave, mas os Estados Unidos afirmam que o F-15 mantinha uma distância segura do avião da companhia Mahan Air.

A IRIB, agência de notícias oficial do Irã, publicou que um passageiro bateu a cabeça no teto do avião durante a mudança de altitude. Em um vídeo circulado nas redes sociais é possível ver um passageiro idoso caído no chão. Os viajantes relataram que o caça americano estava “colado” à aeronave da Mahan Air e a manobra foi tão brusca que foram “jogados” de seus assentos.

O chefe do aeroporto de Beirute afirmou que todos os passageiros deixaram o avião, alguns com ferimentos leves. O incidente que teria exigido a manobra de segurança sobre a Síria, no trajeto de Teerã para Beirute, está sendo investigado pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã. Nesta sexta-feira, 24, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, acusou os Estados Unidos de arriscar um desastre.

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, que supervisiona as tropas americanas na região, disse que a aeronave militar estava realizando uma “inspeção visual padrão” da aeronave iraniana, “a uma distância segura de cerca de 1.000 metros”.

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“A inspeção visual ocorreu para garantir a segurança do pessoal da coalizão na guarnição de Tanf”, disse Bill Urban, porta-voz do Comando Central, referindo-se à estação onde forças americanas estão presentes na Síria. “Depois que o piloto do F-15 identificou a aeronave como um avião de passageiros da Mahan Air, abriu distância com segurança da aeronave”.

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O Irã descartou a explicação dos Estados Unidos como “injustificada e pouco convincente”.

“O assédio de um avião de passageiros no território de um país terceiro é uma clara violação da segurança da aviação e da liberdade de aeronaves civis”, afirmou Laya Joneydi, vice-presidente do governo iraniano para assuntos jurídicos, segundo a mídia iraniana.

 

O episódio ocorre em meio a tensões entre Teerã e Washington, cujos laços se deterioram desde 2018, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu do acordo nuclear com o país e, depois, aplicou sanções que atingiram a economia iraniana.

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Segundo a rede Al Jazeera, há casos de outros aviões que percorrem a rota e não foram interceptados no passado. A emissora também destacou que o governo americano impôs sanções à companhia aérea Mahan Air em 2011, acusando-a de transportar armas na Síria para o grupo armado da Guarda Revolucionária do Irã.

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