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Japonês é libertado da prisão após 48 anos no corredor da morte

Iwao Hakamada tornou-se o prisioneiro a ficar mais tempo no corredor da morte em todo o mundo. Ele era acusado de assassinar uma família

Por Da Redação 27 mar 2014, 13h38

Conhecido como o prisioneiro que ficou mais tempo no corredor da morte em todo o mundo, o japonês Iwao Hakamada, de 78 anos, foi libertado nesta quinta-feira da prisão após esperar sua execução por 48 anos. Hakamada, que cumpriu 30 anos da pena na solitária, é acusado de ter esfaqueado um casal e seus dois filhos e de ter incendiado a casa em que eles viviam. A Justiça japonesa, no entanto, concluiu que os investigadores do caso forjaram provas para que o réu fosse condenado à pena capital. O jornal britânico The Independent aponta que Hakamada chegou a confessar o crime, mas alegou que assumiu a culpa após ser brutalmente interrogado pela polícia.

Uma das provas que foram utilizadas para condenar o réu foi uma camiseta ensanguentada que os promotores disseram que Hakamada usou durante o assassinato. Investigações mais recentes, contudo, mostraram que a roupa não continha o DNA do acusado. A Justiça do país, então, libertou Hakamada e ordenou a realização de um novo julgamento, dizendo que o veredito original era uma injustiça. A promotoria informou à agência Associated Press que recorrerá da decisão.

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A decisão no caso de Hakamada é a sexta em que um condenado à pena de morte no Japão ganha o direito de se defender em um novo julgamento. O acontecimento foi comemorado por entidades da sociedade civil que criticam o sistema penal japonês. O país, assim como os Estados Unidos, China e outros, integra um grupo de apenas sete nações que ainda executam os seus prisioneiros. No Japão, por exemplo, os condenados não são informados da data em que ocorrerá a execução. O anúncio é feito somente na manhã em que o enforcamento está previsto.

O crime – Boxeador aposentado, Hakamada tinha 30 anos quando procurou um emprego em uma fábrica de alimentos na cidade de Shimizu, na costa sul do Japão. No dia 30 de junho, o dono da indústria, sua mulher e os dois filhos do casal foram esfaqueados até a morte. O criminoso ainda roubou uma quantia de 2.000 dólares antes de incendiar a casa. Dois meses depois, Hakamada foi preso, acusado de assassinato, roubo e incêndio da propriedade. A condenação à morte foi divulgada por um tribunal formado por três juízes, em 1968.

Um dos magistrados que emitiu o veredito disse em 2007 que se arrependia da decisão. “Eu pensei sobre esse caso por muitos anos. O veredito de culpado foi baseado somente em uma confissão de Hakamada. Mas ele assumiu a culpa depois de ser confinado e torturado em uma pequena sala por vinte dias. A polícia usou armas de choque e outros meios bárbaros para extrair confissões”, disse Norimichi Kumamoto. Segundo o jornal The Washington Post, as chances de Hakamada ser inocentado no novo julgamento são boas, uma vez que quatro dos outros cinco réus que tiveram o direito a uma nova defesa foram absolvidos. A sentença de apenas um caso ainda está pendente.

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