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Japão inaugura Conselho de Segurança Nacional em plena crise com a China

Primeira tarefa do órgão é analisar a situação de tensão criada pela nova zona de defesa área chinesa. Tóquio também quer estreitar canais de comunicação com Washington e Londres

Por Da Redação 4 dez 2013, 07h08

O novo Conselho de Segurança Nacional (CSN) do Japão, órgão que reforça o papel do primeiro-ministro em matéria de defesa e diplomacia, começou a funcionar nesta quarta-feira com foco na crise gerada pela nova zona de defesa aérea da China. O órgão, similar ao CSN americano e que substitui o atual Conselho de Segurança do governo, busca, além disso, que os Ministérios de Defesa e Relações Exteriores compartilhem informações e coordenem ações de maneira regular através de um único órgão.

O primeiro-ministro, o ministro porta-voz e os titulares de Defesa e Relações Exteriores se reunirão periodicamente na sede do CSN, que será dirigido por Shotaro Yachi, um conselheiro do atual gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe. A criação do CSN foi um dos grandes propósitos de Abe desde a sua chegada ao poder em dezembro de 2012. Sua inauguração coincide com o momento de tensão vivido no nordeste da Ásia devido à zona de defesa de identificação aérea estabelecida unilateralmente pela China. A nova zona de defesa aérea chinesa inclui as disputadas ilhas Senkaku (chamadas de Diaoyu pelos chineses), que são administradas por Tóquio, mas reivindicadas por Pequim.

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Concomitantemente ao novo CSN japonês, o primeiro-ministro Abe pediu que seus ministros se esforçassem para coordenar uma estratégia comum para enfrentar os desafios em matéria de segurança, enquanto o titular da Defesa, Itsunori Onodera, afirmou que o recém criado órgão analisará em suas primeiras reuniões os movimentos de Pequim. Segundo o jornal japonês Nikkei, o CSN terá linhas diretas com Washington e Londres. O governo japonês solicitou o estabelecimento de mais canais de comunicação similares com pelo menos meia dúzia de países aliados. (Continue lendo o texto)

Limites das zonas de defesa aérea de China e Japão
Limites das zonas de defesa aérea de China e Japão VEJA

Está previsto que o CSN seja o fórum para debater dois temas cruciais na agenda de Abe: o estabelecimento de novas diretrizes na defesa e segurança nacional e a redefinição de um papel mais ativo para as Forças de Autodefesa (o Exército japonês), o que provavelmente levará a uma emenda na Constituição estabelecida no país após a Segunda Guerra Mundial.

Biden na China – O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou à China nesta quarta-feira para uma visita de 24 horas para tratar com as autoridades do país sobre as tensões na região. Biden, que estava em Tóquio para uma visita oficial, deve se reunir hoje com o vice-presidente chinês, Liu Yuanchao, e com o presidente Xi Jinping e, amanhã, com o primeiro-ministro, Li Keqiang.

Antes de sua chegada, o jornal estatal chinês China Daily advertiu em um editorial que Biden não terá sucesso se “repetir as declarações anteriores de seu governo, equivocadas e parciais”, em referência às críticas dos EUA contra a nova zona de defesa aérea chinesa. O editorial acusou Washington de “ter se alinhado claramente com o Japão” e de investir “equivocadamente” contra a China. O texto conclui que “foi o Japão que mudou unilateralmente a situação” na região. Além disso, o editorial defende que “os EUA devem deixar de encorajar o beligerante primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe”.

(Com agência EFE)

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