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Japão finaliza 15 anos de processos contra seita Verdade Suprema

Andrés Sánchez Braun.

Tóquio, 21 nov (EFE).- O Japão terminou nesta segunda-feira 15 anos de julgamentos pelo pior atentado terrorista de sua história, realizado com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, que condenou a morte 13 integrantes da seita Verdade Suprema.

A Corte Suprema japonesa reafirmou a pena capital imposta em 2002 a Seiichi Endo, o virólogo que produziu o agente utilizado no ataque, no último de uma série de julgamentos que só revelaram parcialmente a complicada trama do atentado, que causou 13 mortos e mais de 6 mil intoxicados.

Endo, que hoje tem 51 anos, era um dos colaboradores mais próximos do líder da seita, Shoko Asahara, e era encarregado do programa de desenvolvimento de armas químicas do grupo.

Nos últimos 15 anos, os tribunais japoneses processaram 189 membros da Verdade Suprema, emitindo cinco penas de cadeia perpétua e 13 penas de morte, entre elas a de Asahara.

Por enquanto, nenhuma das execuções foi efetivada porque a lei japonesa estabelece que todas as sentenças dos cúmplices do delito devem ser estabelecidas antes de aplicar a pena capital.

O atentado foi realizado por cinco membros da seita, que de maneira coordenada perfuraram com seus guarda-chuvas vários pacotes de sarin em cinco trens do metrô de Tóquio durante a hora do rush na manhã de 20 de março de 1995.

O líquido transparente e inodoro derramado pelos pacotes alcançou o estado gasoso e se propagou pelos vagões em poucos minutos. A inalação da substância, que ataca o sistema nervoso, causou a morte de 13 pessoas e cerca de 6.300 foram intoxicadas, muitas tiveram graves sequelas físicas.

O plano foi aparentemente idealizado por Asahara para desviar a atenção da Polícia japonesa, que tinha previsto inspecionar os locais da organização em 22 de março.

A seita Verdade Suprema (Aum Shinrikyo, em japonês) foi criada em 1984, quando seu líder, cujo nome real é Chizuo Matsumoto, abriu um pequeno seminário de ioga em Tóquio.

Asahara captou como subalternos vários membros da elite universitária japonesa, o que incentivou o crescimento da estrutura econômica e organizacional da associação.

Através dos locais de meditação que abriu em todo o país, Aum captou milhares de fiéis e em apenas uma década tinha criado uma poderosa organização subdividida em ‘ministérios’, com capacidade para produzir agentes químicos e armas leves e que inclusive chegou a adquirir um helicóptero militar russo.

As autoridades ligaram a organização com outros delitos, entre eles outro ataque com sarin que matou oito pessoas na província de Nagano em 1994 e o assassinato de um advogado e sua família em 1989.

Os processos judiciais abertos desde 1996 deixaram muitos aspectos da trama sem esclarecimentos, incluindo a motivação dos atentados, em parte porque Asahara, hoje de 56 anos, ofereceu testemunhos muito confusos antes de ser condenado a morte definitivamente em 2006.

Também não foram explicados outros incidentes como o assassinato a facadas de Hideo Murai, ‘ministro de ciência’ de Aum, por um membro da máfia que se suicidou pouco depois em sua cela.

As vítimas do atentado de Tóquio e suas famílias foram os primeiros a afirmar nesta segunda-feira que os procedimentos não conseguiram esclarecer a verdade e pediram que o caso não caia no esquecimento.

A seita, que foi refundada com o nome ‘Aleph’ em 2002 e se distanciou publicamente da original, conta atualmente com cerca de mil seguidores e continua sob vigilância da Agência de Segurança e Inteligência japonesa.

O rastro da tragédia fica visível no metrô de Tóquio, que hoje conta com mais câmeras de vigilância e recentemente voltou a instalar lixeiras depois que foram retiradas por segurança.

Os avisos para que os usuários informem sobre qualquer anomalia, assim como alguns cartazes com as fotos de três integrantes da seita que são procurados continuam no metrô, que transporta mais de 6 bilhões de pessoas por dia.

Além disso, muitos cidadãos ainda lembram da tragédia cada vez que evitam se sentar próximo a um objeto esquecido em um vagão, enquanto aqueles que viajavam nos trens atacados continuam sem ser capazes de pegar o metrô atualmente. EFE