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Itamaraty promove gravação de mais de 100 obras sinfônicas brasileiras

Projeto Brasil em Concerto envolve três orquestras no registro de obras de 12 compositores brasileiros, entre eles Camargo Guarnieri e Claudio Santoro

Por Denise Chrispim Marin - Atualizado em 26 nov 2018, 22h28 - Publicado em 26 nov 2018, 20h46

Em um projeto inédito, o Itamaraty financiará a recuperação edição das partituras e a gravação das obras de doze compositores eruditos brasileiros pelas orquestras sinfônicas dos estados de São Paulo (Osesp), Minas Gerais e Goiás, com corais e solistas vocais e instrumentais. Cerca de 100 obras sinfônicas, muitas das quais consideradas esquecidas, serão registradas em CDs até 2023.

O projeto Brasil em Concerto foi concebido pela área cultural do Ministério das Relações Exteriores e será executado em parceria com as três orquestras e o selo Naxos, considerado o maior do mercado internacional em música erudita. Seu custo, nos cinco anos de trabalhos, será de 700.000 reais e sairá do orçamento do Itamaraty.

“Trata-se de uma operação de enorme valor cultural. O custo não é alto, em relação ao objetivo traçado, mas o valor do resultado será inestimável”, afirmou o embaixador Santiago Mourão, subsecretário-geral de Assuntos de Cooperação Internacional, Promoção Cultural e Temas Culturais do Itamaraty. “Este é um passo enorme para a recuperação do repertório sinfônico brasileiro, que ainda é muito conhecido”, completou.

Os compositores são significativos do período traçado: Alberto Nepomuceno, Carlos Gomes, Henrique Oswald, Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez, Camargo Guarnieri, Claudio Santoro, José Siqueira, Guerra-Peixe, Edino Krieger e Almeida Prado. As gravações servirão no futuro como referências musicais para maestros, concertistas e instrumentistas — inclusive para audições em seleções de candidatos para músicos de orquestras.

Muitas das obras ainda continuam disponíveis nos manuscritos de seus autores e jamais foram editadas. Um exemplo surpreendente dessa situação é a Bachianas nº 4, de Villa Lobos, uma de suas peças mais executadas e gravadas no mundo todo. Essa e todas as demais partituras passarão por recuperação musical e edição — a parte “invisível” do projeto.

“Recebemos das nossas embaixadas muitos pedidos de informações de maestros sobre partituras de compositores brasileiros, que antes não tínhamos como atender”, explicou Mourão.

Segundo o diretor executivo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Marcelo de Oliveira Lopes, os 100 CDs terão valor histórico. Mais importante ainda será a plataforma na internet, que estará disponível a músicos e estudiosos. A Academia Brasileira de Música acolherá esse conjunto de obras editadas e de gravações.

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“Vamos dizer ao mundo que esse patrimônio esquecido está agora a mão”, afirmou Lopes.

As primeiras gravações já começaram, e estão sendo feitas pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. O CD número 1 terá obras de Alberto Nepomuceno, entre as quais a Sinfonia em Sol Menor, e deverá ser lançado em fevereiro de 2019. O trabalho está sendo realizado na sala da orquestra, em Belo Horizonte, que conta com excelente condição de estúdio, segundo o diretor-presidente, Diomar Silveira.

A Orquestra Filarmônica de Goiás gravará duas sinfonias de Claudio Santoro, entre outros. A Osesp se dedicará a Villa-Lobos e ao trio de compositores paulistas Francisco Mignone, Camargo Guarnieri e Almeida Prado.

Até sua conclusão, em 2023, o projeto terá realizado a gravação integral das catorze sinfonias de Santoro, dentre as quais apenas cinco estão gravadas. Também será registrada pela primeira vez a série completa dos sete choros de Guarnieri. O oratório Candomblé, de Siqueira, e os Pequenos Funerais Cantantes, compostos por Almeida Prado sobre poemas de Hilda Hilst, igualmente estarão gravados.

O lançamento do projeto Brasil em Concerto se deu no último dia 22, no Itamaraty, com um concerto da Filarmônica de Goiás, sob a regência do maestro titular Neil Thomson. Foram escolhidas obras de Edino Krieger e Claudio Santoro. O concerto marcou os noventa anos de Krieger e abriu as celebrações do centenário de Santoro.

 

 

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