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Itamaraty não condena operação dos EUA que matou general iraniano

Em nota, ministério critica cerco e invasão de milicianos xiitas à embaixada americana em Bagdá no último dia 31

Por Da Redação - Atualizado em 7 jan 2020, 12h19 - Publicado em 3 jan 2020, 22h09

O Ministério das Relações Exteriores do governo Jair Bolsonaro emitiu na noite desta sexta-feira, 3, uma nota na qual não condena o ataque de drone dos Estados Unidos que matou Qasem Soleimani, general da Guarda Revolucionária Iraniana, e Abu Mehdi al-Muhandis, um dos líderes das Forças de Mobilização Popular, milícia iraquiana pró-Irã, no aeroporto de Bagdá, no Iraque. Em seu posicionamento, o governo brasileiro manifestou “seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”. Também reiterou “que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”.

Em outro trecho da nota, o Itamaraty afirma que “o Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas”. Na segunda-feira, 6, o presidente Jair Bolsonaro se reunirá com sua equipe ministerial para discutir qual será a estratégia do Brasil caso o preço do combustível dispare nos próximos dias.

Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, nesta sexta-feira, 3, Bolsonaro afirmou que “é muito difícil falar que possa haver conflito maior entre esses países”. Disse também que uma retaliação do Irã seria uma “operação suicida” que poderia representar “o fim da humanidade”.

Ao omitir totalmente o ataque americano contra o general Soleimani, o Ministério das Relações Exteriores condenou apenas “os ataques à Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá. Referiu-se ao cerco de milicianos xiitas iraquianos e à invasão do prédio como forma de protesto a uma operação militar americana no país que deixou 25 mortos e 51 feridos no domingo 29.

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Leia abaixo a íntegra da nota:

Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo

Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos Estados Unidos nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.

O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento.

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O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.

Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá.

O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas.

O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país.

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