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Itamaraty demite diplomata padre filmado em briga na Bolívia

Sóstenes Arruda de Macedo foi ordenado padre em 1996 e era alvo de processo administrativo por faltas excessivas no MRE

Por Julia Braun - Atualizado em 28 fev 2020, 13h18 - Publicado em 5 nov 2019, 10h13

O Ministério de Relações Exteriores demitiu o conselheiro Sóstenes Arruda de Macedo do quadro do órgão, segundo a edição de segunda-feira 4 do Diário Oficial da União. O diplomata, que também é padre, se envolveu em um escândalo em fevereiro ao ser filmado aos tapas com o ex-cônsul-geral da Bolívia em um aeroporto na cidade de Santa Cruz de la Sierra.

Macedo foi alvo nos últimos meses de uma investigação interna do Itamaraty por faltas excessivas no trabalho. O parecer do Ministério contou com o auxílio da representação interna da Advocacia Geral da União (AGU) no MRE e da Consultoria-Geral da União, órgão que faz parte da AGU. A remuneração do diplomata em agosto era de 24.500 reais, segundo divulgado pelo governo. 

Procurado, o Ministério de Relações Exteriores não se posicionou sobre as razões para a demissão de Macedo até a publicação desta reportagem.

Além de diplomata, o conselheiro também é padre. Ele foi ordenado em 1996 e tornou-se vigário da Catedral de Brasília.

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Macedo, que tem fama de encrenqueiro no Itamaraty, se envolveu em uma briga com outro diplomata o Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, em fevereiro deste ano.

O diplomata aparece em imagens reveladas pelo site Metrópoles dando um tapa em José Augusto Silveira de Andrade Filho, antigo cônsul-geral em Santa Cruz. A briga só termina depois que os dois são separados por um funcionário do aeroporto.

Os dois diplomatas trabalharam juntos em Santa Cruz de la Sierra e não mantinham um bom relacionamento. As imagens da briga são do sistemas de câmeras de segurança do aeroporto.

Macedo é autor de uma ação contra Andrade Filho, na qual alega que foi vítima de assédio moral do diplomata durante seu período como cônsul-geral de Santa Cruz. Afirma ainda ter sido punido injustamente com uma suspensão de 90 dias por supostamente não cumprir as ordens de seu superior.

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A defesa de Macedo alegou em julho de 2018 que Macedo foi impedido de cumprir as ordens de seus superiores porque “lhe haviam sido retirados, há mais de um ano, suas atividades laborais e ferramentas de trabalho (computador, telefone, internet, jornais, sistemas eletrônicos internos etc)”.

O diplomata foi promovido a conselheiro no ano passado e já ocupou o cargo de cônsul adjunto em Santa Cruz de la Sierra.

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