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Impasse em escolha de novo premiê trava negociações na Itália

Governistas querem Giuseppe Conte em mais um mandato como primeiro-ministro, mas Partido Democrático de centro-esquerda ainda não concordou

O governista Movimento Cinco Estrelas (M5S) e a oposição do Partido Democrático (PD) pareciam estar muito próximos de um acordo para formar um novo governo na Itália, mas a escolha de um nome para primeiro-ministro bloqueou as negociações nesta terça-feira, 27.

Ontem, o PD havia sinalizado que estaria disposto a aceitar um novo mandato de Giuseppe Conte como premiê. Nesta terça, contudo, uma reunião entre os dois partidos marcada para às 11h do horário local (6h em Brasília) foi cancelada, depois que os dois lados se desentenderam novamente sobre a questão.

Conte, que não tem partido mas é próximo do Cinco Estrelas, renunciou na semana passada após o colapso de uma coalizão de 14 meses entre o M5S e a legenda de extrema-direita Liga, provocado pela retirada do líder da Liga Matteo Salvini.

O presidente Sergio Mattarella deu ao Cinco Estrelas a chance de evitar uma eleição antecipada e formar uma nova coalizão com o PD. Na semana passada, o presidente pediu que o partido se manifestasse até a próxima terça-feira, 3, mas na segunda-feira ele estendeu o prazo por mais um dia, até a quarta-feira, 4.

Conte retornou a Roma da reunião do G7, na França, para um encontro noturno nesta segunda-feira 26 com o líder do M5S, Luigi Di Maio, e o chefe do PD, Nicola Zingaretti, com a intenção de estabelecer os detalhes de um acordo.

A reintegração de Conte, insistida pelo Cinco Estrelas mas resistida pelo centro-esquerdista PD, é atualmente o principal obstáculo para um acordo entre os dois partidos, que são tradicionalmente antagônicos.

“Se eles não concordarem com Conte, é inútil nos encontrarmos”, afirmou Di Maio nesta terça, após o cancelamento da reunião. “Estou cansado de brincadeiras”.

“O acordo corre o risco de se voltar para as ambições pessoais de Di Maio”, respondeu o Partido Democrático.

Também nesta segunda, Salvini criticou a aliança M5S e PD e chamou os recentes desentendimentos entre as duas legendas de uma “reviravolta de longo prazo”.

“Parece que aqueles que disseram que aconteceu uma reviravolta de longo prazo estavam certos”, disse o ministro do Interior em coletiva de imprensa. “Estou orgulhoso do que fizemos pela Itália e pelos italianos”.

Salvini rompeu a coalizão com o M5S há três semanas, convocou uma moção de censura contra Conte e pediu novas eleições. O líder da extrema-direita italiana buscava aproveitar-se da sua recente popularidade e do bom desempenho de seu partido nas eleições para o Parlamento Europeu de maio para se consagrar como novo premiê.

Por enquanto, suas intenções foram frustradas pela renúncia de Conte e pela inesperada disposição do M5S e do PD em negociar uma nova aliança.

Novo governo

Caso o M5S e o PD cheguem a um acordo sobre o nome do novo premiê, o novo governo de coalizão – o sexagésimo sétimo governo italiano desde a Segunda Guerra Mundial – poderia ser empossado no início da semana que vem.

Entretanto, além do novo primeiro-ministro, um obstáculo pode ser a hostilidade de alguns integrantes do M5S, que enxergam o PD como símbolo de um establishment corrupto italiano que o movimento foi fundado para combater.

O partido se elegeu com base em promessas de combater a política tradicional e normalmente coloca importantes decisões estratégicas para votação online entre os membros, seguindo sua crença de democracia direta. Neste caso, a medida poderia aniquilar totalmente o acordo, pondo a Itália de volta no caos político.

Conte era um advogado quase desconhecido quando foi escolhido pela Liga e pelo Cinco Estrelas para chefiar o governo após uma inconclusiva eleição em março de 2018. Ele é hoje o político mais popular da Itália, segundo pesquisas de opinião.

(Com Reuters)