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Itália: a volta da felicidade

A alegria da jovem italiana na prancha de surfe foi registrada às margens de um lago na região da Lombardia, o epicentro italiano da crise da Covid-19

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 19 jun 2020, 13h14 - Publicado em 19 jun 2020, 06h00

Alegria, leveza e diversão. As três palavras tão distantes da realidade do surto do novo coronavírus ajudam a definir a expectativa dos brasileiros quando olham para a razoável volta ao cotidiano lá fora e desejam o mesmo por aqui. Na Itália, os mais de dois meses de confinamento — preenchidos com imagens de hospitais lotados, pontos turísticos vazios e com a contagem asfixiante do número de mortos e contaminados — cederam espaço à celebração da vida, seja qual for o formato daquilo que será considerado o “novo normal” depois da pandemia. A explosão de felicidade da jovem italiana na prancha de surfe foi registrada às margens de um lago na comuna de Colico, na região da Lombardia, o epicentro italiano da crise da Covid-19. No país, o pico da curva de vítimas foi atingido em março, com quase 1 000 mortes registradas por dia. O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, foi duramente criticado por ter perdido o controle sobre a transmissão da doença, mas acabou admitindo que o lockdown era a melhor saída para enfrentar a crise. Até então, o Brasil só assistia às notícias com horror, como se fosse uma realidade longínqua e improvável de se repetir por aqui. Apenas três meses depois, porém, os papéis se inverteram. Agora, são os brasileiros que sofrem com as incertezas sobre o retorno à vida como era antes. A felicidade da garota italiana mostra que esse dia chegará e que os pequenos prazeres cotidianos poderão, enfim, ser desfrutados. De alguma forma, cenas como essa autorizam ao mundo inteiro esperança na medida certa.

Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692

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