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Itália: 200 mil imigrantes podem chegar pelo mar ao país este ano

Em Bruxelas, líderes europeus discutem a retomada das buscas no Mar Mediterrâneo e uma possível operação militar contra traficantes de pessoas que atuam na caótica Líbia

Por Da Redação 23 abr 2015, 09h09

Cerca de 5.000 imigrantes por semana podem chegar à Itália pelo mar provenientes de portos do norte da África nos próximos cinco meses, se não forem tomadas medidas para conter a situação, segundo projeção do Ministério do Interior italiano. Os números, publicados na quinta-feira pelo jornal Il Messaggero apontam que 200.000 podem chegar até o fim do ano.

A chegada de imigrantes normalmente aumenta nos meses de primavera e verão na Europa, devido às melhores condições meteorológicas no Mediterrâneo, mas a situação deve ser ainda pior por causa da situação de conflito instabilidade na Líbia, de onde parte a maioria dos imigrantes. O país está mergulhado no caos desde a queda, em 2011, de Muamar Kadafi, com dois governos que disputam o poder.

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Os chefes de Estado da União Europeia (UE) se reunirão nesta quinta em uma cúpula extraordinária em Bruxelas para avaliar a possibilidade de uma operação militar contra traficantes de seres humanos. Segundo o projeto, os países poderiam lançar uma operação para “identificar, capturar e destruir os barcos antes de serem utilizados pelos traficantes”. Se a proposta for aceita, a organização desta operação militar dependeria da coordenação de vários países e precisaria de bases jurídicas para poder funcionar. Uma operação deste tipo para destruir embarcações na Líbia precisaria de um mandato jurídico das Nações Unidas para a UE poder atuar em águas ou território de outro país.

As tragédias se intensificaram após a Itália cancelar o Mare Nostrum, um programa de buscas que salvou a vida de mais de 100.000 pessoas no ano passado. O governo italiano justificou a decisão dizendo que os demais países da UE não queriam arcar com os custos das operações. Foi aprovado em substituição ao Mare Nostrum o programa Triton, cujo raio de abrangência é bem menor que o anterior e engloba apenas a patrulha das fronteiras do bloco econômico. A aprovação do Triton encontrou respaldo entre nações da UE defensoras do argumento de que salvar a vida dos imigrantes à deriva encorajaria outros a partirem em direção ao continente europeu.

A retomada das buscas, opção também prevista para ser discutida hoje em Bruxelas, seria uma forma de conter um agravamento da situação nos próximos meses. Organizações internacionais afirmam que a temporada de maior fluxo de imigrantes no Mar Mediterrâneo ainda não teve início. Ao menos 3.200 pessoas morreram durante todo o ano de 2014 em travessias clandestinas na região. Se o panorama atual for mantido, os grupos de defesa dos direitos humanos estipulam que o número de vítimas poderá ultrapassar 30.000 neste ano.

Mapa mostra as últimas tragédias envolovendo imigrantes ilegais no Mar Mediterrâneo
Mapa mostra as últimas tragédias envolovendo imigrantes ilegais no Mar Mediterrâneo VEJA

(Da redação)

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