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Israel solicitará US$ 1 bi aos EUA para ‘reabastecer’ sistema de defesa

Pedido acontece em meio a crescente pressão de deputados e senadores americanos contra apoio financeiro e venda de armas às forças militares israelenses

Por Da Redação 2 jun 2021, 12h27

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, irá viajar a Washington na próxima quinta-feira, 3,  para solicitar um “reabastecimento” de 1 bilhão de dólares para o sistema de defesa aéreo conhecido como “Domo de Ferro”, anunciaram autoridades israelenses e o senador americano Lindsey Graham.

Segundo Graham, é esperado que os EUA autorizem “rapidamente” a solicitação, após confrontos que duraram 11 dias entre Israel e o Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza. Autoridades israelenses afirmam que o sistema foi responsável por interceptar centenas de foguetes disparados de Gaza.

A viagem e o pedido, no entanto, acontecem em meio a crescente pressão tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado por bloqueios a venda de armas para Israel, além de críticas aos 3,8 bilhões de dólares em ajuda dados por Washington a Israel anualmente.

Junto a isso, a ofensiva israelense a Gaza também foi alvo de escrutínio internacional. Segundo a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, mísseis lançados por Israel contra a Faixa de Gaza, que deixaram ao menos 242 mortos e 74.000 deslocados, podem constituir crimes de guerra. 

Durante a reunião emergencial convocada por países árabes para discutir o confronto e a “grave situação humanitária” em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, Bachelet afirmou que os ataques “lançam dúvidas sobre a conformidade israelense com os princípios de distinção e proporcionalidade do direito humanitário internacional”. Os três territórios envolvidos foram ocupados por Israel após a Guerra dos Seis dias, em 1967.

Autor de uma resolução de bloqueio a uma venda de 735 milhões de dólares em armas, o senador e ex-candidato presidencial democrata Bernie Sanders afirmou: “Em um momento em que bombas produzidas nos EUA estão devastando Gaza, e matando mulheres e crianças, simplesmente não podemos permitir que outra grande venda de armas vá em frente sem nem mesmo um debate congressional”.

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Desses 3,8 bilhões de dólares dados a Israel em 2020, cerca de 500 milhões foram destinados a operações de defesa contra mísseis, incluindo investimentos no Domo de Ferro e outros sistemas de interceptação.

O Domo de Ferro

O Domo de Ferro de Israel é um sistema de defesa aérea desenvolvido pelas empresas israelenses Rafael Advanced Defense Systems e Israel Aerospace Industries, com suporte financeiro e técnico dos Estados Unidos.

Colocado em serviço pela primeira vez em 2011, ele foi projetado para deter foguetes de curto alcance e artilharia como os disparados de Gaza. Dois sistemas separados, conhecidos como David’s Sling e Arrow, são projetados para ameaças de médio e longo alcance, incluindo aviões, drones, foguetes e mísseis.

Oficiais israelenses e empresas de defesa dizem que o sistema impediu milhares de foguetes e artilharia de atingirem seus alvos, com uma taxa de sucesso de mais de 90%.

No entanto, alguns analistas de defesa questionam esses números, argumentando que os números israelenses de interceptação bem-sucedida não são confiáveis ​​e que grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica que disparam foguetes e artilharia de Gaza se adaptaram ao sistema.

“Nenhum sistema de defesa antimísseis é perfeitamente confiável, especialmente contra uma ameaça em evolução”, escreveu Michael Armstrong, professor associado da Brock University que estudou a eficácia do sistema em uma avaliação de 2019 para o National Interest.

Apesar das críticas quanto à sua utilidade a longo prazo, não há nenhuma dúvida de que o sistema tem protegido os israelenses de diversos ataques letais na última década. 

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