Israel liberta presos palestinos, mas quer ampliar assentamentos

Netanyahu retomou projeto inicialmente anunciado em 2010, que estava suspenso pois os EUA consideraram que atrapalharia o processo de paz

Por Da Redação - 30 out 2013, 14h10

Após libertar nesta terça-feira 26 presos palestinos, como parte de um processo de paz mediado pelos EUA, Israel anunciou que mantém planos para construir mais casas para colonos judeus, numa atitude interpretada pela mídia israelense como uma tentativa de agradar as alas mais radicais da coalizão que governa Israel. Paralelamente à libertação, o Ministério do Interior israelense anunciou nesta qurta-feira que levará adiante os planos para a construção de 1.500 novas moradias em Ramat Shlomo, assentamento que fica numa área da Cisjordânia vista por Israel como parte de Jerusalém. A decisão de Israel teve o aval do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do ministro do Interior, Gidéon Saar.

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De acordo com a mídia israelense, Netanyahu vinculou a libertação do segundo grupo de presos palestinos à autorização da construção das casas como uma forma de compensar a ala dura de seu governo, principalmente o partido Lar Judaico, favorável aos colonos judeus da Cisjordânia, que pressionava o primeiro-ministro para cancelar a anistia. Além das novas construções, Israel permitirá a expansão das casas já existentes e o desenvolvimento de dois projetos: um centro turístico e arqueológico fora das muralhas da Cidade Velha e um parque nacional, nas encostas do Monte Scopus.

O projeto foi anunciado inicialmente em 2010, mas desagradou aos EUA por atrapalhar o processo de paz, e por isso foi arquivado. Em dezembro de 2012, Israel anunciou a intenção de retomar o projeto, mas o arquivou novamente em março deste ano, antes de uma visita do presidente norte-americano, Barack Obama.

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Os palestinos, que desejam estabelecer um estado para si em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, territórios capturados por Israel numa guerra em 1967, condenaram o anúncio das obras. “Essa política é destrutiva para o processo de paz”, disse Nabil Abu Rdeineh, porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Os palestinos também disseram que os assentamentos funcionam como enclaves que inviabilizam a formação de um estado.

Prisioneiros – Os presos foram encarcerados antes ou logo depois do primeiro acordo de paz provisório entre palestinos e israelenses, há 20 anos, e foram soltos como parte de uma anistia limitada, exigida pelos palestinos como condição para a retomada das negociações.

(Com agência Reuters e AFP)

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