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Israel entrega restos mortais de 91 palestinos à Autoridade Palestina

Israel entregou nesta quinta-feira à Autoridade Palestina os restos mortais de 91 palestinos mortos em diversos atos violentos desde a Guerra dos Seis Dias de 1967, principalmente em atentados contra Israel, indicaram fontes oficiais.

“Recebemos à 01h00 GMT (22h00 de quarta-feira em Brasília) os corpos de 91 mártires que foram enterrados de forma desumana no vale do Jordão, em túmulos numerados”, disse à AFP o secretário por Assuntos Civis da Autoridade Palestina, Hussein al-Sheik.

Doze restos mortais foram conduzidos à Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islamita Hamas, e os demais foram levados para a Cisjordânia, indicaram fontes oficiais palestinas e militares israelenses.

Os restos mortais de 79 “mártires” serão levados ao quartel-general do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, em Ramallah (Cisjordânia), onde se encontra o túmulo do presidente Yasser Arafat, para uma cerimônia oficial e uma oração fúnebre.

Depois serão conduzidos para as suas localidades de origem, à exceção de 17 deles, cujas famílias vivem fora dos Territórios Palestinos e que serão enterrados no local da cerimônia.

Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, indicou em um comunicado que espera que “este gesto humanitário sirva para estabelecer um clima de confiança e encaminhar o processo de paz”.

“Israel está disposto a retomar imediatamente as negociações de paz sem condições prévias”, reafirmou Regev.

O Hamas ressaltou em um comunicado que “neste dia se mistura o sangue dos mártires e de heróis do barco ‘Marmara’ com o dos mártires e heróis da Palestina”, em referência aos nove passageiros turcos do navio “Mavi Marmara” que morreram quando as forças israelenses o abordaram há exatamente dois anos. O Hamas vê nesta coincidência um sinal divino.

A Autoridade Palestina divulgou os nomes dos 91 “mártires” palestinos.

Segundo fontes israelenses, a maior parte deles esteve envolvida em sangrentos atentados contra alvos israelenses, sobretudo em Jerusalém, Tel Aviv e Beersheva (sul).

Entre eles estão os oito membros de um comando, que morreram em março de 1975 no ataque israelense contra o hotel Savoy de Tel Aviv, onde estavam entrincheirados com reféns, depois de terem desembarcado na praia.

Sete pessoas que foram tomadas como reféns neste ataque também morreram na operação dos comandos israelenses destinada a libertá-las.

A restituição destes restos mortais é um gesto prometido pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

A associação das vítimas do terrorismo, politicamente à direita, apresentou um recurso perante o Supremo Tribunal de Israel para impedir esta transferência.

Em julho de 2011, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, ordenou a anulação da entrega dos cadáveres de 84 palestinos enterrados no chamado “cemitério dos combatentes inimigos”, no vale do Jordão, argumentando que “sua identidade deveria ser verificada”.

Alguns dos familiares dos 91 palestinos expressaram sua surpresa, porque acreditavam que seus parentes já estivessem enterrados nos Territórios Palestinos ou porque nunca foram informados oficialmente de sua morte, como foi o caso de Nasser al-Buz, o fundador de um grupo armado em Nablus (norte da Cisjordânia), desaparecido desde 1989.

“Ficamos surpresos ao descobrir o nome de meu irmão na lista”, declarou à AFP seu irmão Sobhi al-Buz, que disse que Nasser fundou o grupo “Panteras Negras” do Fatah, movimento de Arafat, durante a primeira Intifada (1987-1993).

“Há mais de duas décadas buscamos saber o que aconteceu com meu irmão. Israel negou saber algo, enquanto a Autoridade Palestina e as organizações de direitos humanos não dispunham de nenhuma informação sobre o tema”, acrescentou.