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Israel e Palestina definem retomada de conversas de paz

Negociadores estabeleceram o mês de fevereiro para reiniciar negociações

Por Da Redação - 3 jan 2012, 19h02

Negociadores palestinos e israelenses concordaram nesta terça-feira em realizar encontros em fevereiro, com a mediação da Jordânia, para tentar reativar as negociações de paz entre as duas partes. O ministro de Relações Exteriores da Jordânia, Nasser Yudeh, fez o anúncio em entrevista coletiva em Amã, capital do país, onde chefes da delegação palestina, Saeb Erekat, e israelense, Izhak Moljo, se reuniram frente a frente pela primeira vez em 16 meses.

O encontro aconteceu após os dois participarem de uma reunião com representantes dos Estados Unidos, Rússia, a União Europeia e ONU, o chamado Quarteto para o Oriente Médio. “Foi um encontro positivo no qual todas as partes se comprometeram com a solução de dois Estados”, afirmou o chefe da diplomacia jordaniana.

No entanto, ele afirmou que não espera nem aumentar nem reduzir as expectativas sobre um acordo de paz. O chanceler disse que Erakat apresentou ao representante israelense e ao Quarteto a posição palestina sobre os problemas na fronteira e a questão da segurança. “Moljo prometeu apresentar uma resposta à proposta palestina antes do final de mês, quando analisaremos a situação completa”, indicou Yudeh.

O jordaniano afirmou que o ponto de referência para as conversas entre palestinos israelenses em Amã, no próximo mês, será o comunicado emitido em 23 de setembro pelo Quarteto para o Oriente Médio, que tinha fixado o dia 26 de janeiro como limite para que as ambas as partes apresentassem sua visão sobre segurança e as fronteiras.

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Calendário – O chanceler jordaniano também propôs um calendário para que um acordo final seja estipulado antes do fim de 2012. “Não haverá novos anúncios sobre as reuniões em Amã, e a Jordânia terá exclusividade para informar sobre os progressos dos encontros”, explicou.

Além disso, Yudeh destacou que o reatamento das negociações entre israelenses e palestinos representa “um interesse supremo” para seu país e para todo o mundo. Questionado sobre a condição imposta pela Palestina, que exige o fim da construção de assentamentos judeus em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, o diplomata disse que “todo mundo considera as colônias ilegais”. A Autoridade Nacional Palestina (ANP) se retirou das últimas negociações diretas de paz, em setembro de 2010, após Israel rejeitar terminar com a construção dos assentamentos.

O ministro jordaniano afirmou que o Quarteto para o Oriente Médio considera esta prática israelense “uma ação provocadora”. Horas antes da reunião desta terça, o Ministério da Habitação e da Administração de Terras de Israel anunciou a licitação de 300 casas em duas colônias judias, segundo a edição digital do diário Ha’aretz.

O encontro desta terça-feira foi criticado pelo movimento islamita Hamas, que o considera uma repetição do diálogo que fracassou nos últimos anos. Além disso, organização vê o quarteto como um organismo controlado pelos EUA e que satisfaz somente os interesses de Israel.

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Diplomacia – A reunião só ocorreu graças ao chamado do Quarteto e aos esforços diplomáticos da Jordânia, depois que em setembro os palestinos foram à ONU pedir para serem admitidos como estado de pleno direito. Os palestinos se negavam até agora a sentar-se ao lado de representantes israelenses, mas as pressões jordanianas nos últimos meses e uma visita do rei Abdullah a Ramallah em novembro tornaram possível reunir as duas partes.

(Com agência EFE)

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