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Israel construirá mais casas em Jerusalém Oriental

As novas licitações irão permitir 238 construções em colônias judias

Israel anunciou nesta sexta-feira novas licitações para a construção de 238 casas em duas colônias instaladas em Jerusalém Oriental. O Ministério de Habitação e Construção israelense aprovou na quinta-feira um concurso para a edificação de cerca de 4.000 casas, entre as quais 158 na colônia de Ramot e outras 80 na de Pisgat Zeev, ambas situadas ao leste da “linha verde”. A área faz parte do território ocupado por Israel após a Guerra dos Seis Dias de 1967.

Esta foi a primeira vez que Israel licitou a construção nas colônias desde seu confronto em março passado com os Estados Unidos, devido à colonização de uma parte palestina da cidade e quando foi anunciada a construção de 1.600 novas casas. As licitações também são as primeiras desde o fim da moratória de dez meses sobre as construções na Cisjordânia, em 26 de setembro.

O anúncio provocou a indignação dos palestinos. O principal negociador palestino, Saeb Erakat, criticou o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pediu a intervenção dos Estados Unidos, que já estão mobilizados para tentar solucionar a questão. Os palestinos consideram que a continuidade da colonização na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, prejudica o resultado das negociações e compromete a viabilidade de seu futuro estado.

“Condenamos firmemente essa decisão e pedimos ao governo americano que considere o governo israelense responsável pelo fracasso das negociações e do processo de paz por sua obstinação em matar qualquer possibilidade de reiniciar as negociações”, declarou Erakat à agência de notícias France-Presse. Hagit Ofran, diretora do movimento Paz Agora, também se declarou contrária à colonização: “Esse anúncio é claramente um gesto político destinado a obstruir a retomada das negociações de paz com os palestinos”.

Divergência – Segundo o jornal Yediot Aharonot, o governo autorizou as licitações depois de ter informado as autoridades americanas a respeito. Washington pressiona o premiê Netanyahu para reduzir a magnitude das obras previstas. Em março, o ministério anunciou um importante projeto de construção em outro bairro do setor oriental da cidade, durante a visita do vice-presidente americano Joe Biden, o que irritou Washington. Netanyahu se viu obrigado a pedir desculpas pelo momento escolhido para o anúncio.

Israel considera Jerusalém sua capital “eterna e indivisível”, enquanto os palestinos querem estabelecer a capital de seu futuro estado na área oriental. Um total de 270.000 palestinos vive em Jerusalém Oriental, onde aproximadamente 200.000 judeus israelenses estão instalados em 12 bairros.

(Com agências EFE e France-Presse)