Israel começa a construir fosso de crocodilos ao redor de prisão de segurança máxima
Projeto de US$ 6,3 milhões para vala de 170 metros visa impedir fugas na penitenciária de Ketziot e foi inspirado na 'Alcatraz dos Jacarés', na Flórida
O governo de Israel iniciou a escavação de um fosso de cerca de 170 metros ao redor de uma ala da prisão de segurança máxima de Ketziot, no sul do país, como parte de um projeto que prevê o uso de crocodilos para impedir fugas de presos palestinos. A estrutura deve custar US$ 6,3 milhões (cerca de R$ 32,31 milhões) e foi inspirada na unidade de detenção americana conhecida como “Alcatraz dos Jacarés”, na Flórida.
O Ministério da Segurança Nacional de Israel, liderado pelo ultradireitista Itamar Ben-Gvir, confirmou o início das obras no interior da instalação na semana passada, segundo o jornal israelense Ynet.
“O Serviço Prisional está totalmente preparado. O plano existe nos mínimos detalhes, desde a manutenção e os cuidados com os crocodilos até as celas de descanso deles”, disse o ministério.
Polêmica ambiental
O projeto avançou depois que a ministra da Proteção Ambiental, Idit Silman, reclassificou o crocodilo-do-Nilo como “animal selvagem domesticado” — categoria que permite sua manutenção em instalações de segurança. A mudança ocorreu apesar da oposição da Autoridade de Natureza e Parques de Israel e de técnicos do próprio ministério.
Introduzir “um grande, predador longevo e não nativo no ecossistema poderia criar riscos numerosos e variados tanto para o ambiente natural de Israel quanto para o público”, afirmou a Autoridade de Natureza e Parques de Israel.
Silman, por sua vez, defendeu a medida ao afirmar que o sistema prisional enfrenta superlotação desde o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que elevou o número de presos por questões de segurança. Segundo a ministra, os crocodilos teriam efeito dissuasório contra tentativas de fuga.
“Estamos falando uma língua que nossos inimigos entendem”, declarou Silman em entrevista a uma rádio israelense.
Denúncias humanitárias
Organizações de direitos humanos criticaram a iniciativa. O diretor do grupo CAGE International, Moazzam Begg, classificou a proposta como sem sentido. Segundo ele, a ideia de utilizar crocodilos como mecanismo de segurança parece “completamente satírica” no século 21.
A prisão de Ketziot abriga, entre outros detentos, palestinos acusados de integrar a força Nukhba, unidade de elite do Hamas apontada por Israel como responsável pelo ataque ao festival Nova durante a ofensiva de outubro de 2023.







