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Israel autoriza plano de 1.100 casas em Jerusalém Oriental

Comitê examinará eventuais objeções antes de anunciar licitação aos colonos

Israel aprovou um plano de construção de 1.100 casas para colonos em Jerusalém Oriental, informou nesta terça-feira o ministério do Interior israelense. O público tem 60 dias para apresentar possíveis objeções ao plano, que acaba de ser aprovado pelo comitê de urbanização do ministério, segundo um comunicado.

O comitê examinará as eventuais objeções antes de anunciar uma licitação para a construção das casas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu a entender que não tinha a intenção de congelar novamente a colonização na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, a parte da cidade ocupada e anexada por Israel em 1967, para tentar reabrir as negociações com os palestinos.

“É um pretexto que usam e voltam a usar, mas muitas pessoas consideram que é uma estratégia para evitar as negociações diretas”, declarou ao Jerusalem Post, em referência à exigência dos palestinos de que Israel congele a colonização para retomar as conversações.

Objeções – No mesmo dia, três relatores independentes das Nações Unidas pediram a Israel que pare imediatamente com a demolição de casas palestinas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Em comunicado, os relatores denunciaram que neste ano houve um “aumento dramático” das demolições.

Eles pediram também às autoridades israelenses que impeçam agressões de colonos israelenses contra os palestinos e suas propriedades. “O impacto e a natureza discriminatória destas demolições e despejos de inquilinos é completamente inaceitável. Estas ações das autoridades israelenses violam os direitos humanos e a lei humanitária e devem parar imediatamente”, afirmaram.

O comunicado foi assinado pela relatora especial das Nações Unidas sobre o direito a uma casa adequada, a brasileira Raquel Rolnik, a relatora especial sobre o direito à água potável e os serviços sanitários, Catarina de Albuquerque, e o relator especial sobre o direito à alimentação, Olivier De Schutter.

Os relatores explicaram que em alguns locais há quase queimas semanais de terras, árvores e colheitas de moradores palestinos por parte dos colonos israelenses, que em sua opinião atuam assim porque as autoridades israelenses não fazem nada para evitar ou puni-los. “As autoridades israelenses devem investigar e interromper os crimes cometidos pelos colonos de uma maneira independente, imparcial, efetiva e pontual”, disseram.

Assentamentos judaicos: o primeiro grande obstáculo ao acordo de paz

Demolições – Dados dos relatores da ONU indicam que desde janeiro ao menos 387 imóveis, incluindo 140 residências, e 79 estabelecimentos agrícolas foram demolidos, o que causou a remoção forçada de 755 pessoas e prejuízos a outras 1.500, informou a mídia local.

“O tratamento preferencial dado aos colonos israelenses é uma discriminação explícita”, manifestaram os especialistas, afirmando que, enquanto os assentamentos israelenses se estenderem para Jerusalém Oriental e o restante da Cisjordânia, as solicitações palestinas de permissões serão rechaçadas e suas casas e propriedades destruídas.

“A situação está claramente mais grave e o resultado é um aumento das violações dos direitos humanos”, afirmou Raquel, que denunciou que os palestinos expulsos viviam há décadas nessa região e nem sequer receberam uma indenização por parte do Estado israelense por terem se deslocado para outra área. “Inclusive são forçados a pagar pela demolição e a pagar multas pelas construções ‘ilegais'”, acrescentou.

Catarina de Albuquerque ressaltou a destruição de cisternas e poços palestinos, o que futuramente fará com que “esta gente tenha de pagar preços exorbitantes pela água potável”. Já Olivier De Schutter informou que isto teve grande impacto na sobrevivência dos palestinos e dos beduínos, que “também viram suas propriedades destruídas”.

(Com agências France-Presse e EFE)