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Israel acusa iniciativa dos palestinos de ‘decisão unilateral’

Demanda de adesão de estado da Palestina à ONU teria 'consequências graves'

Por Da Redação - 14 set 2011, 08h24

O ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, advertiu nesta quarta-feira aos palestinos sobre as “consequências duras e graves” de sua iminente demanda de adesão de um estado palestino na ONU. “O que posso dizer com a maior certeza é que, a partir do momento em que passam a uma decisão unilateral, teremos consequências duras e graves”, afirmou Lieberman em um discurso público no sul de Israel.

Entenda o caso

  1. • Diante do fracasso do acordo de paz com Israel, a Autoridade Nacional Palestina decidiu propor à Assembleia Geral da ONU votação a favor da criação de um estado palestino nas fronteiras antes de 1967, tendo Jerusalém Oriental como capital.
  2. • No pleito, marcado para 20 de setembro, os 193 países-membros podem votar e, se aprovada a criação do 194ª estado, a decisão seguirá para o Conselho de Segurança, onde EUA, China, Rússia, França e Grã-Bretanha tem poder de veto – e tudo indica que os americanos o usarão.
  3. • As negociações de paz entre israelenses e palestinos chegaram a ensaiar um retorno, por intermédio dos Estados Unidos, que defendem que só é possível criar um estado palestino realmente significativo a partir da retomada do diálogo – empacado diante da recusa israelense de parar assentamentos judeus em territórios palestinos ocupados.


Às 13 horas (7 horas de Brasília), estava prevista uma reunião de Lieberman com a Alta Representante para as Relações Exteriores e Política de Segurança da União Europeia, Catherine Ashton. Mais cedo, ela se reuniu com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma tentativa de reativar as negociações de paz no Oriente Médio antes que a ONU receba na semana que vem uma proposta palestina para o reconhecimento como estado.

Ashton, que chegou nesta terça-feira à noite a Jerusalém a partir do Egito, reuniu-se na primeira hora com Netanyahu e logo em seguida com o titular da Defesa, Ehud Barak. “A reunião, que durou uma hora, foi focada nas relações com os palestinos e a situação na região”, indica o comunicado do escritório de Barak, quem esteve depois com o enviado especial do Quarteto, Tony Blair.

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As fontes da delegação europeia não confirmaram, no entanto, se o Quarteto de Madri (formado pelos Estados Unidos, UE, Rússia e ONU) se reunirá na próxima semana em Nova York para tentar contornar a possível crise gerada pelas divergências entre os membros sobre a votação na ONU.

Processo de paz – Após quase duas décadas de processo de paz, os palestinos pedirão à ONU na próxima terça-feira o reconhecimento como estado, uma medida à qual se opõem os EUA e alguns membros da UE, entre eles Alemanha e Holanda.

O presidente americano, Barack Obama, advertiu na segunda-feira que se o pedido chegar ao Conselho de Segurança, como aparentemente já decidiu o presidente palestino, Mahmoud Abbas, vetará a resolução, uma declaração que gerou críticas palestinas pela sua “perda de imparcialidade” como principal mediador no processo.

Ashton, que já esteve em agosto na região, explicou no Cairo que a UE ainda está estudando a proposta palestina e expôs em comunicado prévio à sua viagem a “necessidade de relançar o processo de paz” em qualquer circunstância. A representante comunitária tenta resolver a falta de coesão da política externa europeia com o reativação das negociações e um texto mais moderado que permita a seus membros votar em seu conjunto.

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(Com agências France-Presse e EFE)

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