Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Israel aceita ampliar trégua em Gaza, diz porta-voz

Cessa-fogo devia durar originalmente 12 horas. Não há resposta do Hamas

(Atualizado às 15h10)

Israel aceitou estender por quatro horas a trégua humanitária com o Hamas e outros grupos armados na Faixa de Gaza neste sábado, disse um porta-voz do Exército do país. Não se sabe ainda se os islamitas do Hamas, que controlam Gaza, também vão aceitar prolongar o cessar-fogo, originalmente acordado para durar 12 horas, até a meia-noite (18 horas em Brasília).

Durante o cessar-fogo humanitário, previsto para o atendimento de vítimas e o abastecimento da população, ao menos 151 corpos foram recolhidos em Gaza em áreas bombardeadas por Isarel, segundo a agência palestina Ma’an. Com isso, o número de mortos palestinos no conflito ultrapassou os mil, declarou o Ministério da Saúde local – do lado israelense, são 40 soldados mortos e ao menos dois civis. Israel informou que três morteiros foram disparados de Gaza em direção ao seu território depois das 12 horas de pausa.

A ampliação do cessar-fogo é resultado dos esforços diplomáticos de sete países, que tentam abrir espaço para o diálogo entre as partes em conflito. Com este objetivo, se reuníram em Paris o secretário de Estado americano, John Kerry, e seus colegas de França, Alemanha, Grã-Bretanha, Catar, Turquia e União Europeia, entre outros mediadores. Os chanceleres pediram a extensão do cessar-fogo de 12 horas, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius.

“Todos nós queremos obter, o mais rapidamente possível, um cessar-fogo duradouro e negociado que responda tanto às necessidades de Israel em termos de segurança e às necessidades da Palestina em termos de desenvolvimento sócio-econômico (de Gaza) e acesso ao território de Gaza”, disse Fabius a jornalistas após a reunião.

Leia também:

Bombardeio israelense atinge escola da ONU

Israel rebate críticas e fala em ‘irrelevância’ do Brasil

“A necessidade atualmente é dar fim às mortes”, afirmou o secretário de Relações Exteriores britânico, Philip Hammond. “E paramos com as mortes através da extensão desse cessar-fogo por 12 horas, 24 horas ou 48 horas – e então novamente, até que tenhamos estabelecido o nível de confiança que permite que os envolvidos sentem-se à mesa e discutam questões significativas”, acrescentou.

Plano americano – Horas antes de concordar com a trégua humanitária de 12 horas, o gabinete de segurança de Israel rejeitou por unanimidade nesta sexta-feira uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo secretário de Estado americano, John Kerry, que tinha o objetivo de estabelecer um cessa-fogo de uma semana no conflito. À agência Reuters, uma fonte diplomática israelense disse que o país quer realizar mudanças no plano antes de interromper a ofensiva. Uma das exigências de Israel é que, durante o período maior de trégua, seja assegurado o direito de operar contra os túneis clandestinos em Gaza.

O Hamas, por sua vez, impôs duas condições para aceitar o cessar-fogo. A primeira e mais importante: o fim do bloqueio econômico e do cerco militar que Israel impõe à Faixa de Gaza. Além disso, o movimento islamita, considerado uma organização terrorista, exige a reabertura da passagem de Rafah, que o Egito mantém fechada há um ano.

O governo israelense também quer o desarmamento do citado movimento, uma condição que o líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse que não cumprirá enquanto o Estado judeu continuar armado.

(Com agências EFE, Reuters e France-Presse)