Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Islamitas mantêm ataques a mausoléus de Timbuktu

Os islamitas que controlam Timbuktu (norte do Mali), onde destruíram sete dos 16 mausoléus de santos muçulmanos, mantiveram nesta segunda-feira suas ações devastadoras, que a promotora do Tribunal Penal Internacional (TPI) equiparou a “um crime de guerra”.

“Os islamitas acabam de destruir a entrada da mesquita Sidi Yayia de Timbuktu”, situada no sul da cidade. “Arrancaram a porta sagrada que nunca era aberta”, disse uma testemunha à AFP.

Essa informação foi confirmada por outros moradores de Timbuktu.

Um deles, que antes trabalhava como guia de turismo desta cidade, declarou: “Vieram com picaretas, começaram a gritar “Alá” e arrombaram a porta. Isso é muito grave. Alguns dos civis que observavam choraram”.

Um membro da família de um imã que disse ter conversado com os islamitas do grupo armado Ansar Din (Defensores do Islã), que ocupam esta cidade há três meses, disse que agiram assim porque “alguns diziam que no dia em que esta porta se abrisse seria o fim do mundo, e quiseram mostrar que não é o fim do mundo”.

A porta de madeira situada na ala sul da mesquita de Sidi Yayia estava fechada há décadas, já que, segundo as crenças locais, sua eventual abertura provocaria uma desgraça. Esta porta conduz a um sepulcro de santos e, se os islamitas soubessem, “teriam destruído tudo”, afirmou outra testemunha.

A cidade de Timbuktu e o Túmulo de Askia (norte do Mali), tomados pelos islamitas, foram incluídos na lista de patrimônio mundial em perigo a pedido do governo malinês, anunciou na quinta-feira a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A destruição atual de mausoléus na cidade de Timbuktu é um “crime de guerra” que o Tribunal Penal Internacional (TPI) pode investigar, declarou no domingo em Dacar à AFP a promotora deste tribunal, Fatu Bensuda.

Depois de atacar os mausoléus de santos, o Ansar Din ameaçou no último fim de semana destruir as mesquitas da cidade, afirmando que agia “em nome de Deus” e em represália pela decisão da Unesco, no dia 28 de junho, de inscrever Timbuktu na lista de patrimônio mundial em perigo.

A mesquita de Sidi Yayia é uma das três grandes mesquitas de Timbuktu, junto com as de Djingareyber e Sankore, jóias arquitetônicas do auge desta cidade.

A associação de líderes religiosos do Mali condenou “o crime de Timbuktu”. “Até o profeta (Maomé) ia visitar os túmulos e os mausoléus. Isso é intolerância”, considerou esta associação em um comunicado publicado no domingo.

A Unesco considerou que a presença de islamitas colocava em perigo Timbuktu, uma cidade mítica apelidada de “cidade dos 333 santos”, em referência aos personagens venerados de seu passado cujos túmulos se encontram ali.

Também nesta segunda-feira, um porta-voz da rebelião tuaregue do Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA) anunciou que islamitas radicais que controlam várias regiões do norte do país colocaram minas antipessoais ao redor de Gao e impedem que a população abandone esta cidade.

“A AQMI e o MUJAO, que controlam Gao, minaram os arredores da cidade. Muita gente tenta fugir, pegar ônibus para ir a Bamako, mas os islamitas as impedem de abandonar a cidade”, declarou Mosa Ag Ataher, porta-voz do MNLA em Paris.

Após um golpe de Estado Militar em Bamako no dia 22 de março, os grupos islamitas radicais Ansar Din, AQMI (Al-Qaeda do Magreb Islâmico) e o Movimento pela Unidade e pela Jihad na África Ocidental (MUJAO) tomaram o controle das três regiões administrativas do norte do Mali (Timbuktu, Gao e Kidal), depois de vencer os rebeldes tuaregues, que também estão presentes na região. Seu objetivo é impor a sharia (lei islâmica) em todo o Mali.