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Islamita e símbolo da era Mubarak disputarão segundo turno no Egito

O candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, enfrentará no segundo turno da eleição presidencial egípcia dos dias 16 e 17 de junho Ahmad Shafiq, o último primeiro-ministro de Hosni Mubarak, confirmou nesta segunda-feira a Comissão Eleitoral.

Este duelo entre um islamita conservador e um símbolo do antigo regime com projetos opostos promete ser tenso.

“Nenhum dos candidatos obteve a maioria absoluta. Portanto, conforme o artigo 40 da lei sobre a eleição presidencial, haverá um segundo turno entre (Mursi) e Shafiq (…), que somaram a maior quantidade de votos” no primeiro turno de 23 e 24 de maio, anunciou Faruq Soltan, presidente da Comissão.

Mursi obteve 24,7% (5.764.952) dos votos e Shafiq, 23,6% (5.505.327). A participação alcançou 46% dos eleitores registrados, ou seja, mais de 23,6 milhões de eleitores de um total de 51 milhões de pessoas habilitadas a votar.

O nacionalista árabe Hamdin Sabahi terminou em terceiro lugar, com pouco mais de 4,8 milhões de votos. Atrás dele ficaram o islamita moderado Abdel Moneim Abul Futuh, com 4 milhões de votos, e o ex-ministro das Relações Exteriores Amr Musa, com mais de 2,5 milhões.

No total, doze candidatos disputaram o primeiro turno.

Soltan afirmou que todas as denúncias de irregularidades durante as eleições foram rejeitadas, e acrescentou que as que foram verificadas não tiveram “impacto no resultado global”.

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, chefe do Centro Carter, falou sobre as irregularidades “fortuitas” de sábado e disse que “não há sinais (…) que provem que o processo favoreceu um determinado candidato”.

A Bolsa do Cairo perdeu 3,5% pontos no domingo devido à tensão e à incerteza política geradas. Nesta segunda-feira, perdeu 1,8%, no fechamento, pouco antes do anúncio dos resultados oficiais.

Mursi tirou proveito nesta primeira etapa da poderosa rede de sua irmandade, graças à qual a Irmandade Muçulmana já controla quase a metade das cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento.

O maior partido fundamentalista, o Al-Nur, anunciou oficialmente seu apoio a ele, após ter apoiado no primeiro turno Abul Futuh.

Shafiq, ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak e ex-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, é acusado pelos seus adversários de ser o candidato dos militares que dirigem o país desde a queda de Mubarak. Seu discurso foi baseado no regresso à estabilidade, após 15 meses de uma transição tumultuada.

Este duelo provoca tensão entre os ativistas pró-democracia laicos, que devem decidir se votam em um islamita para evitar o retorno de uma das figuras do regime contra o qual se mobilizaram.

Mussa e Abul Futuh não deram instruções de voto. Mas Abul Futuh rejeitou categoricamente a hipótese de votar em Shafiq.

Enquanto isso, o judiciário egípcio vai decidir, em 11 de junho, se aprova uma lei que proíbe as figuras da era Mubarak se candidatar às eleições, informou o jornal Al Akbar, o que poderia ter implicações para Shafiq.

O Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), liderado pelo marechal Hussein Tantawi prometeu entregar o poder aos civis no final de junho.

Os poderes do próximo presidente permanecem obscuros. O país não tem uma nova constituição para substituir a que estava em vigor durante o regime de Mubarak, que foi suspensa após sua renúncia.