Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Irmandade Muçulmana rejeita oferta para integrar governo

Hazem al-Beblawi, premiê interino, pretende oferecer cargos do gabinete temporário ao partido do presidente deposto e aos salafistas do partido Nour

Por Da Redação 10 jul 2013, 08h18

O partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, rejeitou nesta quarta-feira negociar pastas do gabinete temporário egípcio. Um porta-voz da presidência, Ahmed al-Muslimani, citado pela agência oficial Mena, afirmou que o economista liberal e ex-ministro das Finanças do Egito Hazem al-Beblawi, designado na terça-feira à noite primeiro-ministro interino do país, vai oferecer alguns cargos no governo de transição ao partido, ligado ao presidente deposto Mohamed Mursi.

“Não compactuamos com golpistas. Rejeitamos tudo que emane deste golpe militar”, declarou Tareq al-Mursi, um dos representantes da Irmandade Muçulmana. Já Gamal Tag el Din, membro do comitê legislativo do PLJ, disse à televisão estatal que o partido não pretende cooperar com um regime ilegítimo que chegou ao poder “após um golpe contra a vontade do povo”. “É possível que o regime nos peça para negociar depois de terem cometido um massacre terrível, enquanto os manifestantes apenas rezavam diante da Guarda Republicana?’, indagou El Din, referindo-se ao confronto entre militares e partidários de Mursi na última segunda-feira, quando pelo menos 51 pessoas morreram.

Depois de um ano de mandato, Mursi foi deposto na semana passada em um golpe militar que se seguiu a protestos de milhões de egípcios. Os manifestantes pediam a renúncia do primeiro presidente eleito democraticamente, acusado de autoritarismo, falhas na manobra da crise econômica do país e de tentar islamizar o Egito. Após o golpe, a Irmandade Muçulmana convocou protestos contra o episódio que, como na segunda-feira, resultaram em violentos confrontos entre apoiadores e adversários de Mursi.

Após a destituição de Mursi, os militares designaram Adly Mansour como presidente interino. Com dificuldades para formar um gabinete temporário, Mansour fez várias tentativas até chegar ao nome de Beblawi como premiê interino. Ele também anunciou o líder da oposição Mohamed El-Baradei como vice-presidente do governo de transição. Muslimani, porta-voz da presidência, disse que, além de oferecer cargos à Irmandade Muçulmana, o novo governo também quer negociar com os salafistas do partido Nour. “Não há nenhum obstáculo para que essas duas formações participem do gabinete”, disse Muslimani.

Eleições – Ao retirar Mursi do poder, os militares suspenderam a Constituição. Dois comitês designados para alterar a Carta Magna têm quatro meses e meio para redigir um novo texto. Aprovada às pressas no final do ano passado, a Constituição foi um dos principais motivos de insatisfação que levou manifestantes às ruas contra o governo de Mohamed Mursi. A Constituição foi escrita por uma maioria de radicais islâmicos, depois que os seculares se retiraram das sessões da Assembleia Constituinte em protesto contra a supressão de vários artigos, como o que dava às mulheres os mesmos direitos dos homens. O texto passou por um referendo, do qual participaram apenas 33% do eleitorado. Eleições parlamentares devem ser realizadas quinze dias depois da aprovação da nova Constituição. E novas eleições presidenciais devem ser convocadas depois da formação do novo Parlamento.

(Com agências Efe e AFP)

Continua após a publicidade
Publicidade