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Irma: brasileiros na Flórida relatam falta de água e comida

'Não tem mais comida enlatada e nem água. Está uma loucura nesse lugar', conta Luara Pereira de Souza, que mora em Deerfield Beach

Por Julia Braun - Atualizado em 11 set 2017, 16h50 - Publicado em 7 set 2017, 22h48

A Flórida, nos Estados Unidos, já se prepara para a chegada do furacão Irma no final de semana. Foram emitidas ordens de evacuação em toda a região costeira e o trânsito para chegar a outros estados americanos é grande. Os postos fazem racionamento de combustível e já é difícil encontrar gasolina para abastecer os carros.

A população também se organiza para ficar sem serviços de luz e energia. As filas para comprar garrafas d’água e alimentos são enormes, e muitas vezes decepcionantes, já que os estoques das lojas e mercados está chegando ao fim.

A brasileira Luara Pereira de Souza, de 25 anos, presenciou cenas de desespero nos supermercados de Deerfield Beach, onde mora há um ano. A cidade litorânea no sul da Flórida recebeu o alerta de evacuação e os moradores se apressaram para fazer seu abastecimento. “Não tem mais comida enlatada e nem água. Está uma loucura nesse lugar”, afirmou a jovem natural de São Paulo.

A brasileira Luara Pereira de Souza, de 25 anos Luara Pereira de Souza/Arquivo pessoal

“Nos mercados há um limite de cinco fardos [espécie de engradado] de água por pessoa”, conta Luara. “Algumas pessoas pegaram dez pacotes e começou uma grande briga. Fui empurrada por um carrinho atrás de mim e não consegui pegar nada ali”. Por fim, conseguiu comprar trinta garrafas pequenas, que está economizando para durarem até a próxima semana.

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O condomínio onde Luara mora ordenou a saída de todos os moradores. Sem ter para onde ir, a jovem que vive sozinha nos Estados Unidos teve de conseguir vaga em um abrigo, localizado a 30 minutos de sua casa. “Agora não sei como vou chegar lá”, lamenta. “Uma amiga me emprestou o carro, mas não encontro gasolina em nenhum posto. Tentei chamar um uber mas também não consegui, estão todos sem combustível.”

No abrigo, totalmente preparado para situações de furacão, Luara receberá duas refeições diariamente pelos próximos cinco dias. Foi instruída a levar sua própria água e um kit de higiene pessoal, já que não há como tomar banho. A jovem está registrando toda sua experiência com vídeos e fotos, para seu canal no Youtube.

Mesmo longe da região costeira também há falta de mantimentos básicos. “Estou há dois dias na busca por água e comida enlatada. Encontrei pão em um mercado muito afastado, está bastante difícil”, conta Caroline Finardi Heydt, que mora em Orlando há três anos. Natural de Jundiaí, em São Paulo, ela trabalha como assistente em uma corretora de seguros.

Caroline mora há 3 anos nos Estados Unidos Caroline Finardi/Arquivo pessoal

“Honestamente, eu gostaria de sair daqui. Mas não tenho como porque tenho gato e cachorro e tenho que ficar para proteger nosso patrimônio”, relata a brasileira de 36 anos, que é casada com um americano. “Colocamos madeira e fita isolante nas janelas para que não estilhacem e compramos bolsas de areia para evitar que a água entre pelas portas do apartamento.”

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“Em Orlando não corremos riscos de perder vidas, mas a chance de ficarmos sem água e energia em casa isolados é grande”, disse. “Todo mundo está muito preocupado. O furacão só deve chegar no domingo e hoje, quinta, já não tem gasolina e água em lugar nenhum.”

Evacuação

Ivan Garcez vive há 23 anos na Flórida e já se preparou com antecedência para a chegada do Irma. Conseguiu comprar todos os mantimentos e aprontar sua casa em Miami, mas mesmo assim pensa em deixar o Estado nos próximos dias. “A expectativa é grande para uma tormenta dessa proporção, tão maior do que as outras que já presenciei aqui”, conta.

O brasileiro Ivan Garcez Ivan Garcez/Arquivo pessoal

O paulista natural de Taubaté de 59 anos deve encontrar algumas dificuldades na viagem. “Todos os voos domésticos estão todos lotados, não tem opção para sair daqui de avião”, diz. “As estradas estão como no carnaval no Brasil, totalmente congestionadas.”

Ivan administra uma empresa de logística e carga, cujos serviços tiveram de ser paralisados por causa do furacão. “Trabalhei até esta quinta, mas já guardei toda a carga dentro do armazém e tomei todas as precauções necessárias para que não haja nenhum estrago”, relatou.

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O furacão Irma

O furacão atingiu a categoria máxima na escala de força Saffir-Simpson e já é considerado a tempestade mais poderosa registrada no Oceano Atlântico. O número de vítimas fatais registradas no Caribe chegou a dez, mas ainda pode crescer nos próximos dias.

As ilhas mais atingidas foram Barbuda e São Martinho. Mais de 90% das casas dos arquipélagos foram destruídas e quatro mortes foram confirmadas em São Martinho. Outras três pessoas morreram durante a passagem do Irma por Porto Rico, segundo o governador Ricardo Rossello.

O furacão agora se move em direção ao norte do Haiti, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês). Deve chegar na Flórida no próximo domingo, como uma tempestade de categoria 4, mas tempestades e inundações são esperadas nas próximas 48 horas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou decretos de emergências no Estado, em Porto Rico e nas Ilhas Virgens Americanas, mobilizando recursos federais de assistência a desastres. O governador da Flórida, Rick Scott, informou que a administração local está buscando soluções para que os postos de gasolina não fiquem sem combustível.

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