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Iranianas voltarão aos estádios de futebol pela primeira vez em 40 anos

A primeira partida de futebol profissional após fim da proibição das mulheres nos jogos ocorrerá amanhã em Teerã, capital iraniana

Após o Irã ser ameaçado com a possibilidade de expulsão da FIFA, ou seja, do futebol profissional no mundo, as mulheres iranianas voltarão a frequentar os estádios no seu país pela primeira vez em décadas.

Salvas raríssimas exceções, o governo iraniano proibia as mulheres de acompanhar partidas de futebol desde a Revolução Islâmica, que instaurou o atual regime teocrático em 1979. Como afirmou a rede de notícias americana CNN, o banimento “não está escrito em lei, mas é aplicado na prática”.

O presidente da FIFA, o italiano Gianni Infantino, tinha recentemente chamado a prática do Estado iraniano de “inaceitável” e exigiu das autoridades a sua revogação antes da próxima rodada das qualificatórias para a Copa do Mundo de 2022.

A medida do órgão que governa o futebol mundial veio como reação à morte da torcedora iraniana Sahar Khodayari, de 29 anos. Apelidada de “Garota Azul”, a jovem ateou fogo em si mesma após ser condenada a seis meses de prisão por ir a uma partida de seu time, o Esteghlal.

As mulheres foram rápidas em comprar ingressos para a próxima partida do Irã nas eliminatórias da Copa, que ocorre na quinta-feira, 10. O jogo será contra o Camboja, na capital Teerã. Por coincidência, o palco será o Estádio Azadi, que, em persa, significa “liberdade”. 

Mas, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars, as mulheres ficarão em uma área segregada dos homens e serão vigiadas por 150 policiais do sexo feminino. E apenas 4. 600 torcedoras poderão ir ao jogo.

A cota, que equivale a meros 5% dos assentos no “Estádio Liberdade”, foi criticada pela organização não-governamental Human Rights Watch, que a descreveu como “discriminatória, enganosa e perigosa”.