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Irã vai às urnas com clérigo ultraconservador como favorito absoluto

Eleições devem promover guinada conservadora que pode aprofundar diferenças com o Ocidente, além de aumentar a desconfiança no campo nuclear

Por Julia Braun 18 jun 2021, 09h01

Quatro candidatos majoritariamente conservadores disputam a presidência do Irã nas eleições desta sexta-feira, 18, e entre eles o clérigo e chefe do Judiciário, Ebrahim Raisi, desponta como franco favorito.

O início da corrida eleitoral foi marcado por controvérsia, porque o Conselho dos Guardiães, órgão responsável por aprovar as candidaturas, rejeitou vários candidatos proeminentes dos setores reformista e moderado, como Ali Larijani, ex-presidente do Parlamento.

Até o início desta semana, sete candidatos ainda participavam da corrida eleitoral, porém, como costuma acontecer no Irã, três deles anunciaram sua desistência para apoiar concorrentes mais bem posicionados. Esta medida abriu caminho para Raisi, que não tem adversários fortes para ofuscá-lo neste pleito, ao qual o atual presidente, Hassan Rohani, não pode concorrer, pois completou dois mandatos consecutivos.

A vitória de Raisi é amplamente esperada, a menos que haja surpresas de última hora, que são comuns nas eleições presidenciais iranianas. Larijani chegou a pedir a impugnação da candidatura do clérigo na semana passada, mas o Conselho dos Guardiães não a revogou.

As eleições devem promover não só uma mudança no comando do governo iraniano, como também uma provável guinada conservadora que pode aprofundar as diferenças existente entre o país e o Ocidente, além de aumentar a desconfiança no campo nuclear.

O encontro com as urnas coincide com um momento delicado para o Irã tanto internacionalmente quanto internamente, com o descontentamento popular aumentando, de modo que há muitas questões em jogo no pleito.

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O favorito

O principal candidato e favorito do sistema é um clérigo ultraconservador, embora concorra às eleições como um “independente”, que já tentou chegar à presidência nas eleições de 2017, nas quais Rohani levou a melhor.

Raisi ficou em segundo lugar naquela ocasião, com 38,5% dos votos, e dois anos mais tarde foi nomeado chefe do Judiciário pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que muitos analistas acreditam que pode ser sucedido por ele no futuro.

Anteriormente, Raisi foi curador da importante fundação Astan Quds Razavi, que administra o mausoléu do imã xiita Reza em Mashad, cidade onde ele nasceu em 1960.

Durante a campanha eleitoral, Raisi defendeu “um Irã forte” e “gestão eficiente” dos recursos e capacidades internas para alcançar “um auge de produção”. Ele também prometeu combater a corrupção e apoiar os jovens para melhorar a situação econômica deles com medidas como a construção de 4 milhões de casas, com as quais pretende reduzir os altos preços.

Raisi é o candidato que mais fez comícios eleitorais, embora eles tenham sido muito limitados devido à pandemia de covid-19, e sua imagem é a mais presente nos cartazes de propaganda espalhados pela capital do país, Teerã.

(Com EFE)

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