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Irã testa míssil após novas sanções americanas

Por Ali Mohammadi 1 jan 2012, 10h12

As Forças Armadas do Irã testaram neste domingo um míssil de alcance médio terra-ar durante importantes manobras navais que o país executa no estratégico Estreito de Ormuz, horas depois de o presidente americano Barack Obama ter assinado no sábado uma lei que endurece as sanções contra Teerã por seu programa nuclear.

“Este míssil de alcance médio terra-ar está equipado com a mais moderna tecnologia de combate contra alvos com capacidade para evitar radares e sistemas inteligentes que tentam interferir na navegação dos mísseis”, declarou o comodoro Mahmud Mussavi.

Este foi o primeiro teste com este tipo de míssil, projetado e fabricado no Irã, segundo o militar.

Mussavi não informou se o míssil foi disparado a partir de um navio ou da terra.

As manobras navais, iniciadas em 24 de dezembro, acontecem ao redor do Estreito de Ormuz.

O Irã ameaçou fechar esta via estratégica para o abastecimento de petróleo, por donde transita entre um terço e 40% do tráfego marítimo petroleiro mundial, em caso de novas sanções contra as exportações de combustível do país.

Os exercícios militares acabarão na segunda-feira com uma manobra destinada a comprovar a capacidade das forças navais de fechar o Estreito, segundo o comodoro Mussavi.

“A partir de amanhã, a maioria de nossas unidades navais – de superfície, submarinas e aéreas – vão posicionar-se segundo uma nova disposição tática destinada a impossibilitar a passagem de qualquer navio pelo Estreito de Ormuz se a República Islâmica assim decidir”, completou o militar.

A exibição de força acontece no momento em que os Estados Unidos e os países ocidentais aumentam a pressão sobre o Irã por seu polêmico programa nuclear.

No sábado, o presidente dos Estados Unidos promulgou uma lei de financiamento do Pentágono que reforça as sanções contra o setor financeiro do Irã.

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Segundo a Casa Branca, as medidas, que visam a castigar a República Islâmica por seu programa nuclear, foram incluídas em uma proposta de lei de defesa de 662 bilhões de dólares, que foi assinada por Obama, apesar de suas “fortes reservas” a respeito de medidas que limitam sua margem de manobra em termos de prisão de suspeitos de terrorismo.

As companhias estrangeiras deverão escolher entre fazer negócios com o banco central e o setor financeiro e petroleiro do Irã ou com os Estados Unidos.

Os bancos centrais estrangeiros que negociam com o BC iraniano em transações de petróleo poderão enfrentar restrições similares sob a nova lei.

Obama manifestou em um comunicado publicado ao promulgar a lei sua preocupação de que esta interfira em sua autoridade constitucional para realizar negociações com governos estrangeiros, ao ver atada sua capacidade de manobra.

A proposta de lei, que foi aprovada por ampla maioria no Congresso, reserva um pequeno espaço de atuação para Obama, ao conceder a ele um prazo de 120 dias para denunciar o acordo.

Obama indicou, por outro lado, que promulgou a lei de financiamento do Pentágono, apesar de não concordar com artigos que “regulamentam a prisão, o interrogatório e a perseguição dos suspeitos de terrorismo”.

O texto impõe que as pessoas que sejam suspeitas de manter laços com a Al-Qaeda ou de participar em conspirações que conduzam a atentados contra interesses americanos devem ser conduzidos ante a justiça militar, e não ante a justiça ordinária. O presidente dispõe, de qualquer maneira, da faculdade de derrogar esta disposição.

Obama afirmou que assinou a lei devido à necessidade de financiar operações militares no exterior, vitais para a segurança nacional, mas precisou que a aplicará visando a “manter a flexibilidade necessária da segurança nacional e preservar os valores fundamentais do país”.

A lei dificultará ainda mais o fechamento da prisão da base de Guantánamo, que abriga há dez anos suspeitos de terrorismo, ao prolongar uma disposição que proíbe utilizar fundos do Pentágono para construir prisões alternativas a esse centro instalado em território cubano.

O texto também proíbe o emprego de fundos públicos para transferir os presos de Guantánamo para os Estados Unidos, a fim de obrigar a administração para que eles sejam julgados por tribunais militares e não civis.

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