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Irã se diz disposto a cessar produção de urânio enriquecido

Mahmoud Ahmadinejad volta a destacar que processo é para consumo interno

“Se nos fornecerem urânio enriquecido a 20% a partir desta semana, nós vamos parar de enriquecer o urânio agora”

O Irã está disposto a interromper sua produção de urânio levemente enriquecido desde que o Ocidente aceite fornecê-lo à República Islâmica, assegurou o presidente Mahmoud Ahmadinejad em uma entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal americano New York Times.

“Se nos fornecerem urânio enriquecido a 20% a partir desta semana, nós vamos parar de enriquecer o urânio agora. Queremos apenas urânio enriquecido a 20% para nosso consumo interno”, assegurou Ahmadinejad, que está em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, na qual fará seu discurso nesta quinta-feira. “Se nos fornecerem (urânio) enriquecido em conformidade com o direito internacional em vigor, segundo as regras da AIEA (Agência Internacional da Energia Atômica), sem condições prévias, nós interromperemos o enriquecimento”, enfatizou.

Mais uma vez, o presidente iraniano muda seu discurso em relação a seu programa nuclear. A sinalização de que estaria disposto a negociar com as nações internacionais contrasta com a posição intransigente que expressou há apenas três meses. Em junho, Ahmadinejad declarou, em seu tradicional tom de ameaça, que nenhuma proposta das potências mundiais seria capaz de convencer o Irã a parar de enriquecer urânio.

ONU – A explicação pode estar na fala do presidente americano, Barack Obama, que na tribuna da Assembleia Geral da ONU na quarta-feira pediu que o Irã e a Coreia do Norte sejam ainda mais isolados, caso ambos os países insistam em sua atitude de não cumprir com suas obrigações referentes ao programa nuclear.

O Irã está sob o efeito de seis condenações da ONU e de sanções internacionais contra seu programa nuclear, em particular sobre suas atividades de enriquecimento de urânio. Teerã desmente que pretenda produzir a arma nuclear, mas especialistas e governos ocidentais consideram o contrário. O urânio levemente enriquecido é utilizado apenas com fins pacíficos, mas se o enriquecimento chegar a 90%, é possível que seja utilizado para fabricar uma arma atômica.

(Com agência France-Presse)