Irã reabre Estreito de Ormuz para todos os navios em meio a trégua no Líbano
Passagem será liberada durante até o fim do cessar-fogo com os EUA, na próxima terça 21, informa ministro das Relações Exteriores iraniano
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira, 17, que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada. De acordo com ele, a decisão foi tomada após entrar em vigor uma trégua no Líbano, uma das múltiplas frentes do conflito no Oriente Médio, onde Israel combate o Hezbollah, milícia apoiada pelos iranianos.
“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada durante o restante do período de cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã”, escreveu o chanceler no X (ex-Twitter).
Não está claro até quando o estreito permanecerá aberto. Araghchi mencionou “período restante do cessar-fogo”, mas não especificou se era o do Líbano (que expira em dez dias) ou aquele entre Estados Unidos e Irã (válido, inicialmente, até a próxima terça-feira, 21).
O ministro afirmou, no entanto, que os navios teriam que seguir uma “rota coordenada”, previamente acordada com o Irã. Analistas de navegação indicam que ele se refere a um passagem próxima à costa iraniana, que foi utilizada por um contingente pequeno de embarcações durante a guerra devido ao risco de ataques.
A passagem já deveria ter sido aberta mediante a trégua acordada entre Irã e Estados Unidos em 8 de abril, que os dois países estudam agora estender. No entanto, permaneceu trancada devido a um desacordo sobre os termos da pausa nos combates (em especial, a continuidade dos bombardeios israelenses contra o Líbano).
Na quinta-feira 16, o gabinete de segurança de Israel anunciou ter concordado com a suspensão dos ataques ao Hezbollah por dez dias, após pressão do governo Donald Trump, uma vez que o conflito ativo colocou a trégua com o Irã em risco.
Antes disso, na segunda-feira 13, os Estados Unidos haviam imposto o seu próprio bloqueio ao redor do Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo mundial, cujo fechamento a República Islâmica usou como arma desde o início da guerra no Oriente Médio. Durante o conflito, o fluxo no estreito despencou de 130 para seis navios por dia.
O cerco mobilizou 10 mil militares, quinze navios de guerra e dezenas de aviões e helicópteros para fiscalizar uma área que engloba o Golfo de Omã e o Mar Arábico (o Estreito de Ormuz conecta essas águas ao Golfo Pérsico, lar das monarquias árabes petrolíferas).
Com a medida, os Estados Unidos pretendem pressionar o setor de petróleo iraniano, pilar de sua economia e responsável por 10% a 15% do PIB, e encerrar os pagamentos do chamado “pedágio de Teerã”, que por cerca de US$ 2 milhões tem permitido navios seletos atravessarem a nevrálgica rota marítima.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), unidade do Pentágono responsável pela região do Oriente Médio, informou na quinta-feira 16 que treze embarcações tiveram que dar meia-volta e retornar a um porto ou a uma área costeira do Irã.







