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Irã pede que países do Golfo não compensem sua produção de óleo

Por Por Siavosh GHAZI 15 jan 2012, 16h30

O governo de Teerã advertiu neste domingo as monarquias do Golfo a não tentarem compensar a produção iraniana de petróleo, em caso de novas sanções ocidentais contra suas exportações, declarou o representante do país na Opep, citado neste domingo pelo jornal Shargh.

“Se os países produtores do Golfo Pérsico derem o sinal verde para substituir o petróleo iraniano e cooperarem com os aventureiros (ocidentais), serão responsáveis pelos incidentes que vierem a se produzir e seu gesto não será amistoso”, declarou o representante do Irã na Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohamad Ali Khatibi.

Vários dirigentes ocidentais afirmaram nas últimas semanas que os países do Golfo, em particular a Arábia Saudita, estariam dispostos a compensar o déficit da oferta no caso de embargo contra as exportações iranianas, para convencer os asiáticos, em particular o Japão e a Coreia do Sul, a participar do embargo.

“Se as nações do Golfo proclamarem claramente sua intenção de não compensar o petróleo iraniano em caso de sanções, os aventureiros não vão se inclinar” a tomar tais decisões, considerou Khatibi, representante de um país acusado de desenvolver a arma atômica, sob a cobertura de um programa nuclear civil, apesar das negativas de Teerã.

Citado neste domingo pelo jornal saudita Al-Watan, o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Nouaïmi, assegurou que seu país, que produzia atualmente 10 milhões de barris de petróleo por dia (mbd), era “capaz de chegar a 12,5 mbd, para responder às necessidades do mercado mundial e satisfazer qualquer aumento da demanda dos países consumidores”.

A União Europeia (UE) deve finalizar no dia 23 de janeiro as modalidades de um embargo sobre o petróleo iraniano, que poderia entrar em vigor em seis meses.

O Irã, segundo maior produtor da Opep, gera 3,5 milhões de barris de petróleo por dia e tira 80% de suas divisas das exportações do óleo. Cerca de 18% das exportações do Irã são destinadas à UE, essencialmente à Itália (180.000 b/d), Espanha (160.000 b/d) e Grécia (100.000 b/d).

Os principais clientes asiáticos do petróleo iraniano, a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Índia e a Turquia, se mostram reticentes em relação a um embargo sobre o petróleo iraniano, ou o rejeitam, como a Rússia.

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O porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, considerou que o objetivo dos Estados Unidos era, de fato, “enfraquecer seus futuros adversários econômicos, que são o Japão, a China e a Índia” desestabilizando o mercado de petróleo.

Ante a possíveis novas sanções, o Irã prometeu nas últimas semanas responder, fechando o estreito de Ormuz, por onde circulam 35% do tráfego de petróleo marítimo mundial, antes de retornar sobre suas ameaças.

Segundo o New York Times, a Casa Branca preveniu o aiatolá Ali Khamenei que os Estados Unidos reagiriam a um eventual fechamento do estreito.

Tentando apaziguar, Mehmanparast declarou domingo: “o estreito de Ormuz é um canal estratégico para o fornecimento de energia da qual o mundo tem necessidade e assegurar sua segurança é uma das prioridades da política externa do Irã”.

Ao mesmo tempo, em Israel, o ministro das Relações Estratégicas, Moshé Yaalon, expressou domingo “decepção” ante as “hesitações” do governo americano sobre um endurecimento das sanções contra o programa nuclear iraniano.

A rádio pública israelense anunciou, por sua vez, que os Estados Unidos e Israel adiaram por motivos orçamentários, para o último trimestre de 2012 exercícios militares conjuntos previstos para a primavera.

Esta decisão, que não foi confirmada oficialmente, acontece no momento em que os Estados Unidos e Israel parecem hesitar sobre o dossiê iraniano. Segundo o Wall Street Journal, Washington preocupa-se que Israel, apesar de suas objeções, prepare uma ação militar contra o Irã.

O chefe da diplomacia britânica, William Hague, declarou domingo que os países ocidentais não pensavam em intervir militarmente no Irã.

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