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Irã nuclear: negociações são novamente estendidas, agora até junho

De forma genérica, chanceler menciona ‘progressos’, mas o que se vê é um novo fracasso na tentativa de se chegar a um pacto que impeça o país persa de produzir armas atômicas

O prazo para negociação de um acordo nuclear com o Irã foi ampliado mais uma vez. As conversas, que deveriam ser concluídas nesta segunda-feira, agora vão até o dia 30 de junho do ano que vem, diante do fracasso de se alcançar um pacto amplo sobre o tema.

O chanceler britânico Philip Hammond apontou “progressos” na última rodada de negociações, que começou na última semana, em Viena, mas reconheceu que não foi possível desembaraçar pontos em que não há consenso, como os níveis de enriquecimento de urânio e o número de centrífugas que o país terá permissão para operar. Um representante iraniano confirmou a ampliação do prazo, o que também fez o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

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As conversas que têm, de um lado, a República Islâmica, e do outro, o chamado grupo 5 + 1, que reúne os membros do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China) e a Alemanha, continuarão seguindo os termos do acordo preliminar assinado há um ano em Genebra, informou o ministro.

Alguns diplomatas advertiram que uma nova extensão no prazo reduziria a capacidade de pressão sobre o Irã. Alguns congressistas americanos disseram que tentariam reforçar as sanções contra o país se a diplomacia não apresentasse resultados até hoje.

A comunidade internacional quer que o Irã desmantele seu programa de enriquecimento de urânio, mas o país persa ofereceu apenas um congelamento das operações, por um período limitado. O discurso iraniano é que o programa tem fins pacíficos. Na prática, contudo, a República Islâmica tem enganado os inspetores estrangeiros enquanto desenvolve uma bomba atômica às escondidas.

O acordo preliminar do ano passado incluiu a suspensão de sanções aplicadas contra as indústrias aeronáutica, automotiva e farmacêutica, e liberou recursos que estavam congelados. Durante o novo período de negociação, Teerã continuará tendo acesso a aproximadamente 700 milhões de dólares por mês, resultado do desbloqueio de bens que foram alvo de sanções internacionais.