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Irã nega envolvimento em ataques de rebeldes hutis contra Arábia Saudita e forças do Iêmen

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou o grupo apoiado por Teerã como 'totalmente independente'

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 set 2026, 15h18
Irã nega envolvimento em ataques de rebeldes hutis contra Arábia Saudita e forças do Iêmen Priorize VEJA no Google

O governo do Irã negou nesta segunda-feira, 14, qualquer envolvimento nos recentes ataques realizados pelos rebeldes hutis do Iêmen, apoiados por Teerã, contra a Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas.

Em declaração a jornalistas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, disse que os hutis são “totalmente independentes” e “tomam suas decisões em função de seus próprios interesses”.

“O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”, declarou Baqaei ao anunciar o adiamento de uma reunião com os países do Golfo sobre a gestão do Estreito de Ormuz. 

A declaração ocorre após os hutis anunciarem nesta segunda-feira que lançaram “dezenas de mísseis balísticos e drones” contra alvos militares no sul da Arábia Saudita. O grupo disse ter executado “uma operação militar em larga escala contra instalações e infraestruturas militares, incluindo hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso, depósitos de munições e outros alvos situados na base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait”, informou o porta-voz militar Yahya Saree.

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Nesta segunda, a Defesa Civil saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades do sul da Arábia Saudita. De acordo com Yahya Saree, os hutis atingiram a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, a quinta maior cidade da Arábia Saudita, visando instalações e infraestrutura militar.

A ofensiva, segundo o grupo, é uma resposta aos ataques aéreos realizados pela Arábia Saudita contra o Iêmen nos últimos dias.

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A escalada se dá poucos dias após os hutis capturarem a ilha de Perim, localizada no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma das principais rotas comerciais entre a Ásia e a Europa. A retomada dos combates também agravou a crise humanitária: milhares de pessoas deixaram áreas costeiras, e a ONU informou que mais de 2.000 cruzaram para o Djibuti desde a última quinta-feira 10.

Na quinta-feira, os hutis já haviam tomado o porto da cidade iemenita de Mocha em uma tentativa de obter o controle total da costa do Mar Vermelho. Além dele, os hutis também reivindicam o controle da cidade de Hays, que faz uma interseção entre três províncias no Iêmen, e do acampamento Khalid ibn al-Walid, a maior base militar da região.

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Tensão entre hutis e Arábia Saudita

As hostilidades começaram em julho, quando os hutis desafiaram o controle de Riad sobre o espaço aéreo iemenita ao permitir que um avião iraniano pousasse no Iêmen. O governo do país, reconhecido pela comunidade internacional, respondeu com um ataque ao aeroporto.

A fase mais recente da escalada veio na semana retrasada, quando os hutis atacaram instalações de energia e cidades do sul da Arábia Saudita usando drones e mísseis balísticos, após o colapso, em julho, do cessar-fogo firmado em 2022, em meio à crescente instabilidade regional.

Em resposta, as forças militares do reino lançaram pelo menos 40 ataques na última quarta-feira 9. “Aviões sauditas executaram 32 ataques aéreos contra diversas áreas das províncias de Marib, Al Jawf, Taiz e Hodeida nas últimas horas”, informou o canal de televisão rebelde Almasirah. Algumas horas depois, a emissora relatou uma dezena de bombardeios adicionais.

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Os combates já deixaram mais de 500 mortos no Iêmen, segundo um balanço da agência de notícias AFP. O número inclui pelo menos 216 soldados do governo e 278 combatentes hutis, além de 29 civis.

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