Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Irã não deterá enriquecimento de urânio

País ignora pedido das potências e afirma que enriquecimento de 20% é necessário para a produção de combustível. Nova reunião está marcada

Por Da Redação - 27 maio 2012, 10h19

O Irã rejeitou, neste domingo, abandonar o enriquecimento de urânio a 20%, exigido pelas grandes potências mundiais para resolver a crise provocada pelo programa nuclear iraniano. “Não há razão para ceder no enriquecimento a 20% porque produzimos combustível a 20% para nossas necessidades, nem mais, nem menos”, declarou Fereydoon Abbassi Davani, chefe do programa nuclear iraniano.

Leia também:

Irã minimiza descoberta de urânio enriquecido a 27%

AIEA descobre urânio enriquecido a mais de 20% no Irã

Publicidade

O enriquecimento de urânio a 20% provoca inquietações na comunidade internacional sobre a finalidade do programa nuclear iraniano. Enquanto o país diz que ele é estritamente pacífico, as potências ocidentais suspeitam que há um objetivo militar para dotar o país de uma bomba atômica. Enriquecido a 5%, o urânio serve de combustível para as centrais nucleares; a 20%, alimenta os reatores de pesquisa e, acima de 90%, pode servir para fabricar uma bomba atômica.

Abbassi Davani lembrou que o Irã havia começado, em 2010, a enriquecer urânio a 20% para produzir combustível para seu reator de pesquisas nucleares de Teerã, depois do fracasso das negociações com as grandes potências sobre a entrega deste combustível em troca de uma parte das reservas de urânio fracamente enriquecido. “Precisamos controlar todo o ciclo do combustível de urânio”, diz Abbassi Davani.

As grandes potências do grupo “5+1” (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) exigiram do Irã, em negociações realizadas em Bagdá, que não enriquecesse urânio para além de 5% e transferisse para fora do país suas reservas atuais de cerca de 100 quilos de urânio a 20%. A medida visa dissipar dúvidas sobre o programa nuclear, condenado por seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU, quatro delas com sanções.

Já o Irã sempre afirmou que seu direito de enriquecer urânio no âmbito do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) era um assunto de soberania “não negociável”. Davani se referiu neste domingo à possibilidade de que Teerã comece a exportar urânio a 20%. A ameaça não é nova, mas aparece como uma provocação no contexto atual.

Publicidade

Este endurecimento da posição do Irã ocorre pouco depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciar, na sexta-feira, a descoberta de restos de urânio enriquecido a 27% na usina nuclear subterrânea de Fordo, ao sul de Teerã. O Irã disse que foi um problema técnico e a explicação foi considerada plausível, segundo especialistas ocidentais. Uma nova rodada de negociações entre as duas partes deve acontecer em Moscou, entre os dias 18 e 19 de junho.

(Com informações da AFP)

Publicidade