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Irã fustiga bases militares americanas no Golfo e chama EUA de ‘Satã’ por ataque a casamento

Regime diz que cinco morreram e dezenas ficaram feridos na festa; forças iranianas lançam mísseis contra Bahrein, Jordânia, Kuwait e Iraque

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 09h18
Irã fustiga bases militares americanas no Golfo e chama EUA de ‘Satã’ por ataque a casamento Priorizar nos meus resultados Google

O Irã lançou uma série de ataques com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio entre esta terça e quarta-feira, 2, em retaliação a uma nova salva de bombardeios ordenados pelo presidente Donald Trump

Na véspera, os militares americanos afirmaram ter atingido sistemas de defesa aérea e radares da Guarda Revolucionária Islâmica, além de instalações marítimas, equipamentos para lançamento de minas e centros de comunicação no sul do Irã. Teerã, por sua vez, acusou Washington de bombardear uma festa de casamento na cidade de Sirik, deixando cinco mortos e dezenas de feridos — pelo que o principal negociador iraniano nas conversas diretas e indiretas com Washingon, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de “Satã”.

“Escola de Minab: crianças massacradas. Ginásio de Lamerd: crianças assassinadas. Casamento em Kuhestak: crianças assassinadas ao lado de suas famílias. Se uma potência atua como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã”, afirmou Ghalibaf em uma publicação no X (ex-Twitter), retomando o termo utilizado pelo governo iraniano e seus simpatizantes desde a revolução islâmica de 1979 para se referir aos Estados Unidos.

Em resposta à investida americana, o Irã declarou ter atacado bases e outros alvos americanos no Bahrein, Jordânia, Kuwait e Iraque. Segundo as Forças Armadas iranianas, a ofensiva tem como objetivo expulsar os militares dos Estados Unidos da vasta rede de bases mantida por Washington há décadas na região.

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Na Jordânia, o Exército informou ter detectado 13 mísseis balísticos, dos quais dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas. Já no Kuwait, a Guarda Revolucionária disse ter atingido a base aérea Ali Al Salem e instalações usadas por um comandante americano. Teerã também afirmou nesta quarta-feira que dois petroleiros “explodiram e ficaram em chamas” após colidirem com minas navais no Estreito de Ormuz.

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Retomada das hostilidades

Esta terça-feira viu a segunda troca de disparos na guerra no Oriente Médio, interrompendo de vez a breve pausa nas hostilidades que durou cerca de um mês, desde junho. No último final de semana, ataques americanos atingiram lançadores de foguetes iranianos na pequena ilha de Larak, segundo Washington, com objetivo impedir que o Irã instalasse mais minas marítimas no Estreito de Ormuz — Trump insiste que seu país tem “controle total” da rota marítima e chegou a afirmar que o local era território americano.

A república islâmica respondeu com ataques à Jordânia e aos Emirados Árabes Unidos, que teriam como alvo forças americanas, segundo Teerã. Foi aí que o presidente americano prometeu bombardear o Irã fortemente, ameaça que parece ter cumprido na terça. “Vamos atingi-los com força”, disse o republicano a um repórter da Fox News. “Haverá uma resposta”, completou.

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Mais cedo, porém, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fez um aceno rumo a uma desescalada. Ele prometeu que Teerã retomaria imediatamente os compromissos para encerrar a guerra caso os Estados Unidos voltem ao protocolo de acordo, assinado em junho, estabelecendo um cessar-fogo e um período de 60 dias para a diplomacia.

“Declaro explicitamente que, se os Estados Unidos retornarem a seus compromissos em virtude do protocolo de acordo (… ), a república islâmica do Irã adotará imediatamente medidas recíprocas”, declarou Pezeshkian, às margens de uma cúpula regional no Quirguistão, onde ele deve se reunir com Vladimir Putin.

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Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram o chamado memorando de entendimento de Islamabad para acabar com os combates, iniciados em 28 de fevereiro com os ataques americanos e israelenses contra o Irã, que provocaram a morte do antigo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Mas o acordo foi rompido no início de julho, com a retomada das hostilidades.

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