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Irã e UE fazem propostas para solucionar litígio nuclear

União Europeia pode suavizar sanções se Irã reduzir enriquecimento de urânio

Por Da Redação - 23 maio 2012, 15h03

A reunião entre o Grupo 5+1 e o Irã para tentar resolver o litígio nuclear esteve marcada nesta quarta-feira por um afrouxamento na tensão entre ambas partes, com uma proposta europeia e uma contraoferta iraniana sobre a mesa de negociações.

O grupo é formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Onu – Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha – e a Alemanha. A União Europeia, representada pelos três países, colocou na mesa suas ideias sobre a questão, oferecendo suavizar as sanções internacionais em troca de que Teerã reduza o enriquecimento de urânio.

Por outra lado, a República Islâmica lançou uma contraproposta da qual por enquanto não se conhece muitos detalhes. Estas propostas foram anunciadas durante a cúpula, realizada em Bagdá, com a esperança que enfim se chegue a um acordo.

Sanções – Sobre a iniciativa europeia, o porta-voz da UE para Relações Exteriores, Michael Mann, explicou em entrevista coletiva na capital iraquiana que propuseram ao Irã diminuir o enriquecimento de urânio de 20% para 5% em troca de um alívio nas sanções internacionais.

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A porta-voz da diplomacia europeia, Catherine Ashton, expressou sua esperança que as negociações tenham um resultado positivo para a segurança mundial e que haja um avanço no litígio nuclear iraniano.

A resposta do Irã não demorou. A delegação iraniana pôs sobre a mesa uma contraoferta de cinco pontos. O porta-voz da delegação iraniana, Taleb Mahdi, disse à Agência Efe que a ideia de seu país inclui dois aspectos, um referente ao programa nuclear em si próprio e outro a aspectos políticos.

Teerã esperava obter uma resposta por parte do 5+1 durante a sessão vespertina da reunião de Bagdá, que continuará nesta quinta-feira.

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Solicitações – Mahdi revelou ainda que a delegação chinesa e Ashton enviaram solicitações à equipe iraniana pedindo a realização de reuniões bilaterais à margem do encontro. A reunião se desenvolve no Palácio de Hóspedes, no centro da fortificada Zona Verde de Bagdá, onde normalmente são recebidos os dignitários estrangeiros.

As expectativas de chegar a um consenso cresceram depois que ontem o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), Yukiya Amano, anunciou que assinará “em breve” um acordo com Teerã.

“Foi tomada a decisão com (o negociador iraniano, Said) Jalili de assinar um acordo. Seguem existindo algumas diferenças, mas elas não serão um obstáculo”, disse Amano.

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Continuidade – Mesmo assim, o Irã prossegue com as atividades de seu polêmico programa nuclear, que segundo Teerã tem fins pacíficos, mas que para potências como Estados Unidos e Israel conta com uma vertente armamentista.

Na mesma terça-feira o país enviou dois lotes de placas de combustível nuclear com urânio enriquecido a 20% de sua planta de produção em Isfahan ao reator experimental de usos médicos de Teerã, segundo informou hoje a agência de notícias local Mehr.

Em relação ao objetivo do programa, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou hoje que seu país nunca produzirá ou usará armas atômicas ou de outro tipo de destruição em massa.

(Com agência EFE)

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