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Irã e Grupo 5+1 tentam aproximar posições sobre política nuclear

Por Por Farhad Pouladi - 19 jun 2012, 14h15

Os países do Grupo 5+1 e o Irã retomaram nesta terça-feira na Rússia uma rodada de difíceis negociações para tentar por fim a vários anos de desconfiança em relação ao programa nuclear iraniano e dissipar a tensão ante a iminência de um embargo petroleiro contra Teerã.

As discussões, que na segunda-feira terminaram com posições “dificilmente compatíveis”, segundo admitiu o próprio vice-chanceler russo Serguei Riabkov, foram retomadas durante a manhã em um hotel da capital russa.

Pouco antes do início das negociações a portas fechadas, o negociador adjunto da delegação iraniana, Ali Bagheri, manteve uma reunião com Riabkov.

Os negociadores de Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha pediram ao Irã uma redução considerável do nível da capacidade de enriquecimento de urânio, atualmente em 20%.

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A delegação iraniana insiste que o enriquecimento de urânio a 20% é um direito “absoluto” do qual o país não pretende abrir mão. O principal negociador de Teerã, Said Jalili, respondeu aos pedidos do Grupo 5+1 com um plano de cinco pontos que expõe as demandas de Teerã.

“O Grupo 5+1 anunciará nesta terça-feira a posição sobre as propostas iranianas, em especial no que diz respeito ao direito de enriquecimento”, disse Bagheri, adjunto de Jalili, em declarações reproduzidas pela agência iraniana Mehr.

Por sua vez, um membro da delegação iraniana que não quis se identificar disse à imprensa que o Grupo 5+1 “está em uma encruzilhada. Um caminho leva à saída de 10 anos de estancamento com relação ao programa nuclear iraniano. Se eles seguirem por este caminho, o Irã está pronto para tomar medidas construtivas”.

Mas “se eles (o 5+1) tomarem o outro, o velho caminho, não haverá progresso possível”, disse a mesma fonte.

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Uma fonte europeia afirmou que o Grupo 5+1 mantém suas exigências centrais: que o Irã suspenda o enriquecimento a 20% e que troque as reservas de urânio enriquecido a 20% por combustível nuclear do qual Teerã necessita.

“Nossa prioridade consiste em que os iranianos discutam a questão do urânio a 20%”, disse na segunda-feira o porta-voz da delegação europeia, Michael Mann. Para estar em condições de construir uma bomba nuclear, o país precisaria enriquecer urânio a 90%.

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