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Irã e Grupo 5+1 debatem em Bagdá a questão nuclear

Por - - 23 maio 2012, 10h55

O Grupo 5+1 fez propostas “interessantes” a Teerã durante as negociações de Bagdá, nesta quarta-feira, para chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano, declarou à imprensa o porta-voz de Catherine Ashton, chefe da diplomacia da União Europeia (UE).

“Não vou revelar os detalhes destas propostas, mas o que nós colocamos na mesa é interessante para o Irã”, disse Michael Mann, porta-voz de Ashton, que representa o G rupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha – e a Alemanha).

“Nós esperamos uma resposta positiva do Irã às nossas propostas”, acrescentou.

Mann descartou a possibilidade de obter um acordo final, sugerindo um processo de negociações.

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“Nós podemos fazer progressos. Este é o segundo passo de uma série de negociações. Esperamos avançar, mas essas coisas não podem ser resolvidas em uma noite”, afirmou.

Um membro da delegação iraniana se recusou a responder à nova proposta do Grupo 5+1.

“Se eles fizeram uma nova proposta, significa que as anteriores não foram suficientes”, declarou.

A fonte também afirmou que o lado iraniano insistiu no acordo de Istambul, assinado em abril passado, que destaca o fato “do Tratado de Não Proliferação ser a base para as negociações e o processo de discussão ser baseado em um princípio de reciprocidade”.

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“Temos de questionar a outra parte sobre o que ela oferece”, acrescentou.

“A bola está do lado deles. Temos uma série de coisas que queremos que eles compreendam. O enriquecimento de urânio a 20% é claramente uma preocupação significativa da comunidade internacional”, disse Mann.

Segundo o jornal Le Monde, os Seis precisam colocar sobre a mesa um pacote de medidas “para construir a confiança”.

Neste contexto, o Irã teria que interromper o enriquecimento de urânio a 20%, transferir para o exterior seu estoque de 140 kg de urânio enriquecido a este percentual e apresentar promessas de cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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As grandes potências, por sua vez, poderiam ajudar a central iraniana de Bouchehr e adiariam a entrada em vigor, em julho, das sanções relacionadas com o embargo do petróleo, ainda de acordo com o jornal.

Se este cenário for confirmado, o Grupo 5 +1 colocaria de lado o pré-requisito de interromper o enriquecimento de urânio a 3,5%, o que ainda é reivindicado pela ONU, como exigência para negociações. Há alguns meses, um diplomata europeu indicou à AFP que esta exigência “foi abandonada há muito tempo”.

No entanto, a Agência de Energia Atômica Iraniana (AEAI) afirmou em um comunicado na terça-feira que havia entregado duas placas de combustível para o reator de Teerã.

Acima de tudo, acrescentou que “este processo continuará para assegurar a fabricação de todo o combustível necessitado pelo reator de Teerã (…) oferecendo por mês duas placas de combustível”.

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O que significa que o Irã quer usar seu estoque de urânio enriquecido a 20% para produzir o combustível para o reator.

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